|  | Artigo publicado na edição de 21 de Abril de 2005 |
Nuno Botelho/Expresso
 | RUI GUIMARÃES «É preciso incentivar a investigação nas empresas» |
Cotec Dois anos a pregar aos privados Em Portugal, gasta-se q.b. na investigação. Mas a massa cinzenta continua concentrada nas universidades. «A geração de conhecimento está muito sediada nas universidades», afirma Rui Guimarães, director-geral da COTEC, cuja estratégia, acrescenta, consiste em «aproximar a oferta do conhecimento da procura do conhecimento, que é algo que não coincide».Por Clara Teixeira A COTEC nasceu há dois anos com a missão de promover a inovação e a investigação nas universidades e, sobretudo, nas empresas. Em Portugal, os privados investem muito pouco em investigação e desenvolvimento (I&D) e o esforço público feito nesse sentido traduz-se por uma escassez de resultados. | |
| O QUE É? Criada em Abril de 2003, sob o patrocínio do Presidente da República, a COTEC é uma associação formada por 105 empresas que decidiram unir esforços e «aceitar» uma orientação comum em matéria de inovação. Dela fazem parte os grupos Sonae, Vodafone, GalpEnergia, Logoplaste, BPI, Brisa, PT, entre outros. Em conjunto, as empresas associadas representam quase um quinto do PIB nacional. QUE INICIATIVAS TOMOU? A COTEC adoptou como seus alguns dos grandes problemas nacionais. Por isso, concentrou esforços num projecto de combate aos incêndios, já entregue ao novo Governo. Elaborou estudos sobre a criação de um pólo de desenvolvimento de software, no Minho, a indústria automóvel na região Norte e, em curso, tem iniciativas no domínio da logística e do turismo. A associação vai agora estudar as oportunidades de mercado, no domínio da biotecnologia, com a finalidade de aumentar a produtividade em sectores como a indústria florestal (pasta, papel e cortiça), alimentação e bebidas, têxtil, ambiente e energia. Nesta semana, foi lançada uma rede de 24 PME inovadoras e atribuído o 1.º Prémio PME Inovação COTEC-BPI, à Chipidea Microelectrónica. QUEM É RUI GUIMARÃES? Professor catedrático na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, com a actividade suspensa desde que, há dois anos, assumiu o cargo de director-geral da COTEC. Esteve ligado à criação do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI) e coordenou a equipa que efectuou alterações na dimensão dos esquentadores inteligentes da Vulcano. Perto do final de 2004, esteve cerca de 20 dias em coma, em consequência de um acidente com um tijolo que o atingiu na cabeça, quando passava perto de um prédio em obras, em Lisboa. Hoje, considera-se recuperado. «Não a 100%, mas já estou muito bem», disse. |
|
VISÃO: As empresas, além de serem responsáveis por apenas um terço do investimento em I&D, estão alheadas da investigação que se faz nas universidades. A COTEC pode contribuir para ultrapassar o problema? RUI GUIMARÃES: Temos que tentar aproximar essa geração de conhecimento da aplicação de conhecimento. Como a geração de conhecimento em I&D está muito concentrada nas universidades, a presença pública é muito maior em Portugal do que em outros países. Dados da OCDE indicam que o peso da investigação básica no total gasto em I&D é de 27,8%, em Portugal. Nos EUA, é de 20,9%, no Japão de 12,4%, na Noruega de 16,6% e na Holanda, o mais baixo da UE, de 9,6 por cento. Isto significa uma coisa: que nas empresas portuguesas não existe tradição de investir em I&D. |
É bom ou mau que assim seja? É bom que haja investigação básica, tem de haver geração de conhecimento dessa natureza. Mas achamos que é preciso incentivar a investigação nas empresas, e há programas para isso. Não queremos diminuir nada. Queremos é aumentar outra componente. Neste cenário, que balanço faz dos dois anos de actividade da COTEC? Desenvolvemos iniciativas estruturantes, que têm a ver com a procura de soluções para grandes problemas nacionais.O que dissemos é que nos sistemas bem sucedidos existe um comando único. Isto está feito, já foi entregue ao Governo. Essa medida será aplicada no próximo Verão? Estes problemas resolvem-se em dois anos e não precisam de uma geração. Haja esforço político e haja vontade para os resolver. Já foi tudo disponibilizado às entidades que têm de resolver estas questões. A iniciativa florestal está nas mãos dos ministros. Não é a COTEC que vai resolver o problema dos incêndios. Mas há pessoas que já têm informação que lhes permite ajudar a resolver o problema. O que espera do plano tecnológico do Governo? Só pode favorecer o ambiente para a inovação, porque traduz a sensibilidade dos governantes relativamente à questão. Vai depender, naturalmente, do próprio plano. Mas é positivo, do nosso ponto de vista. | | Nuno Botelho/Expresso
 | I&D «Nas empresas portuguesas não existe tradição de investir em investigação» |
|
Artigo publicado na edição da Revista Visão de 21 de Abril de 2005. Reproduzido com a devida autorização. Todos os direitos reservados. |