Organização do projecto

Vigilância florestal, detecção e alerta de incêndios florestais e apoio a sistemas de combate

O projecto visou três objectivos fundamentais, cada um deles correspondendo a uma linha de intervenção específica. Foram eles:

  • Análise da cobertura da actual Rede Nacional de Postos de Vigia (RNPV), elaborando propostas de reformulação desta rede com vista à optimização dos recursos a ela afectados.
  • Análise comparativa de tecnologias e sistemas de vigilância e detecção de incêndios florestais e do seu papel na detecção e apoio ao combate.
  • Realização de três instalações-piloto de vigilância electrónica.

A natureza distinta destas linhas de intervenção implicou que nelas se adoptassem perspectivas diferentes relativamente ao seu âmbito. Enquanto a análise da RNPV incidiu sobre a totalidade do País, na segunda linha de intervenção foi efectuada uma comparação de tecnologias e sistemas de vigilância e detecção de incêndios florestais disponíveis quer em Portugal quer no estrangeiro e, finalmente, na terceira foram concretizadas instalações de vigilância electrónica para as três zonas piloto anteriormente identificadas (Vale de Sousa, Pinhal Interior Centro e Ribatejo), cobrindo, no seu todo, cerca de 4,9% da área continental do País.

Avaliação da Rede Nacional de Postos de Vigia em Portugal

 

Descrição
Como resultado desta linha de intervenção, conduzida por uma equipa constituída por elementos do ISA e do INOV, produziram-se ferramentas de apoio à decisão envolvendo o estudo da actual RNPV, que possibilitam a selecção dos melhores locais para a instalação de novos postos de vigia, a identificação de postos que eventualmente possam vir a ser encerrados ou a alteração das localizações dos postos existentes.

 

Figura 1

RNPV - Rede Nacional de Postos de Vigia

Figura 2

RNPV - Exemplo de mapas individuais de visibilidade

No âmbito desta linha, foram desenvolvidas as seguintes acções:

  1. Levantamento rigoroso e sistemático da localização geográfica dos 236 postos de vigia e de outras características da RNPV (que se representa na Figura 1). Foram detectados obstáculos visuais de natureza diversa (vegetação e infra-estruturas de telecomunicações, entre outros) nas imediações dos postos de vigia: em 71 postos (30% da RNPV) foi identificada a necessidade de intervenção a curto ou médio prazo; de entre estes, 20 necessitam de intervenção urgente.
  2. Elaboração de uma carta de visibilidades para identificação das áreas do território actualmente cobertas pela RNPV (ver exemplo na Figura 2). Os resultados mostraram que, em pelo menos 34% do território, o grau de cobertura da RNPV é baixo ou muito baixo (28% não tem visibilidade directa), sendo que em 52% do território o grau de cobertura é médio.
  3. Produção de uma nova cartografia que identifica as áreas onde a vigilância é prioritária, tendo em consideração os riscos de incêndio, as áreas de interesse público e o grau de cobertura da actual RNPV.
  4. Avaliação da eficácia dos postos de vigia. Verificou-se que a probabilidade de detecção pela rede não excede os 10% nas zonas geográficas mais desfavoráveis, podendo atingir 30 a 60% nas zonas mais favoráveis. A hora do dia tem também grande importância na eficácia de detecção.
  5. Proposta de medidas a adoptar na reestruturação da RNPV. Da análise efectuada concluiu-se que uma RNPV concebida de raiz necessitaria apenas, para o mesmo grau de probabilidade de detecção da actual, de 142 postos de vigia (mantendo 39 postos e relocalizando os restantes 103). Tendo como objectivo a melhoria da vertente de detecção de incêndios pela RNPV, foram elaboradas 3 propostas considerando a remoção, a adição ou a recolocação de postos.
  6. Projecto de um Sistema Nacional de Videovigilância (SNV).
    Do estudo realizado concluiu-se, em termos indicativos, que bastariam 161 torres de videovigilância para garantir uma cobertura nacional ligeiramente superior à da RNPV actual na detecção de incêndios e acompanhamento remoto em tempo real.

    O SNV apresenta um custo previsional de investimento de cerca de 12.6 M€. No entanto, tendo em conta tanto os custos de investimento como os de exploração, estima-se que, ao fim de 10 anos, a poupança com o SNV face à RNPV será superior a 10 M€.

 

Resultados e Conclusões
Globalmente, o trabalho realizado permitiu concluir que:

  • a estrutura actual da RNPV não é a mais eficiente e que, qualquer que seja a abordagem a adoptar, é possível aumentar a área vigiada por posto;
  • as ferramentas e metodologias desenvolvidas permitem apresentar propostas concretas de melhoria da rede de uma forma rápida e eficaz (registe-se que, no decurso da época de 2005, a DGRF, e a então Secretaria de Estado das Florestas, recorreram já aos instrumentos tornados disponíveis por esta linha de intervenção).

Análise comparativa de tecnologias e sistemas de vigilância e detecção de incêndios florestais e do seu papel na detecção e apoio ao combate

Descrição
Foi realizado um estudo de caracterização da eficácia e do desempenho de sistemas de vigilância electrónica baseados em diferentes tecnologias de suporte.
O estudo, desenvolvido por uma equipa da ADAI, tomou como ponto de partida os resultados atingidos em projectos anteriores, envolvendo sistemas nacionais e estrangeiros. Estes resultados foram complementados com os testes realizados nas instalações de vigilância electrónica, no âmbito da terceira linha de intervenção deste projecto. Nestes testes participaram, para além da ADAI, a LUSOPTEL, a OBSERVA, o INOV, a DGRF e o SNBPC.

Conclusões
Entre as conclusões do estudo, destacam-se as seguintes:

  • A vigilância electrónica apresenta, relativamente à vigilância humana, vantagens que decorrem da sua objectividade e exactidão, conduzindo a tempos de detecção mais baixos e à diminuição de erros na localização dos pontos de ignição dos incêndios.
  • Os sistemas de vigilância electrónica têm a capacidade de operar 24 sobre 24 horas, em qualquer época do ano, podendo ser também utilizados noutras aplicações complementares, por exemplo no âmbito da protecção civil, da vigilância de fronteiras ou da monitorização do tráfego marítimo.
  • A vigilância electrónica proporciona melhores condições de trabalho aos operadores, que podem operar várias estações remotas a partir de uma mesma sala de controlo.
  • Os sistemas de vigilância electrónica podem ser instalados em qualquer local com o recurso a um conjunto de acessórios standard, sem qualquer tipo de dependência da existência de rede eléctrica no local de instalação.
  • Os custos da vigilância electrónica são baixos quando considerados a médio e longo prazo.

Realização de três instalações piloto de vigia electrónica

Descrição
Realizaram-se instalações nas três áreas piloto anteriormente identificadas para operarem no decurso das épocas de fogos florestais de 2004 e 2005. Para o efeito, foram efectuadas diligências e acompanhados os processos relativos a alugueres de terrenos e à obtenção de autorizações pela CNPD - Comissão Nacional de Proteccção de Dados, ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações e Câmaras Municipais.

As instalações utilizaram sistemas de videovigilância fixa (na gama do visível e infravermelhos), videovigilância móvel (na gama do visível) e fotovigilância fixa (na gama do visível).
Por um lado, foram testadas as tecnologias envolvidas e, por outro, foi demonstrado o seu potencial, nele incluindo o efeito dissuasor e a disponibilização de poderosas ferramentas de apoio à decisão para CPDs e CDOS, na sua tarefa de detecção precoce e acompanhamento de sinistros.

Apesar de os resultados terem sido globalmente positivos, os sistemas instalados nas três zonas piloto apresentaram prestações e resultados distintos. As diferenças registadas entre eles devem-se maioritariamente a factores de duas ordens:

  • Factores de natureza tecnológica: Os sistemas testados encontram-se em diferentes estádios de desenvolvimento, industrialização e fiabilização, bem como de oferta de ferramentas de software e sua facilidade de utilização, facto que teve um impacto significativo na receptividade e no modo de utilização de tais sistemas.
  • Factores de natureza organizacional e estrutural: Os resultados de implementação dos sistemas de detecção e vigilância foram condicionados não só pela grande diferença de condições físicas de operação dos CPDs e CDOS envolvidos mas também pela organização destas entidades e pela atitude dos seus colaboradores, nuns casos de total envolvimento e noutros mais céptica e distante. Para a plena utilização dos referidos sistemas é necessário que as entidades que deles podem beneficiar os assumam como seus.

Conclusões
Entre as conclusões da implementação e teste das instalações piloto, destacam-se as seguintes:

  • As tecnologias e sistemas utilizados podem desempenhar um papel essencial na minimização do tempo de resposta entre a ignição do incêndio e a primeira intervenção, constituindo um complemento significativo das metodologias tradicionais.
  • A facilidade de utilização das ferramentas de software e a eficácia das telecomunicações constituem factores críticos para o seu sucesso.
  • O impacto dos sistemas de vigilância electrónica depende crucialmente das condições de funcionamento, da organização e do empenho das entidades e das pessoas responsáveis pela detecção e pelo alerta às brigadas de primeira intervenção no combate aos incêndios florestais.
  • Da análise dos sistemas testados nas instalações piloto, todos de origem nacional, ficou patente que Portugal detém tecnologias de vigilância electrónica competitivas à escala internacional.

Pode também consultar o relatório na íntegra deste projecto.

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