Publicado a 30 de março de 2017

A digitalização da economia vai provocar uma revolução nas competências

No último ano, tem-se vindo a assistir à transformação rápida da economia pelas novas tecnologias. Os carros autónomos da Tesla circulam pelas estradas da Califórnia, a Uber disrompe modelos de  negócio e o mundo da realidade aumentada assistiu à "febre" do Pokémon Go. Esta automação e digitalização estende-se a todos os sectores da economia e sociedade e prevê-se que venha a provocar uma revolução das competências.

Automação, digitalização e conectividade são apenas três das palavras-chave a reter. Num mundo onde se estima que 60 por cento de todas as profissões tenham pelo menos 30 por cento de atividades que podem ser automatizadas, e onde 8 mil milhões de dispositivos já estão conectados à internet, as implicações que esta revolução terá no trabalho serão profundas.

Uma Perspetiva Internacional

O estudo "The Skills Revolution", lançado pela empregadora ManpowerGroup em janeiro de 2017 no âmbito do Fórum Económico Mundial, analisa o futuro das competências do trabalho, partindo das opiniões de mais de 18 000 empregadores de 43 países e 6 sectores industriais.

O estudo faz as seguintes previsões:

  • Embora os desenvolvimentos tecnológicos gerem maior automação e uma diminuição no número de funcionários ou um crescimento lento na contratação em algumas áreas, eles irão também gerar novos empregos, sobretudo empregos qualificados e em áreas que estão de acordo com as novas exigências tecnológicas.
  • Haverá uma Revolução de Competências, em que as pessoas e empresas se terão que adaptar por forma a colher as novas oportunidades geradas pelo desenvolvimento tecnológico.
  • É mais provável que os robôs substituam tarefas de determinados empregos e não os empregos em si. De facto, a criatividade, a inteligência emocional e a flexibilidade cognitiva humanas permitirão às pessoas complementar os robôs, mais do que serem substituídas por estes.
  • Os ciclos de novas competências estão cada vez a ficar mais curtos, com uma nova geração a ter necessidade de aprender novas competências que nem sequer existiam na geração anterior.

Também o White Paper do Fórum Económico Mundial, publicado a 4 de janeiro, aponta no mesmo sentido, considerando que:

  • A globalização e a tecnologia estão a acelerar a criação e destruição de empregos.
  • Os sistemas de educação e formação, que permaneceram estáticos durante décadas, não acompanharam estas mudanças.
  • Os padrões culturais ultrapassados e a inércia institucional criaram e criam obstáculos para cerca de metade do talento mundial.

De acordo com este relatório, é necessário transformar os ecossistemas educacionais para permitir a transição para este novo mundo do trabalho.

Uma Perspetiva Nacional

A temática da automação e industrialização da economia tem vindo a ser debatida em Portugal, tendo sido alvo de uma entrevista que Vieira da Silva, Ministro do Emprego e da Segurança Social, deu a 18 de março ao jornal Público.

A entrevista versa sobre o futuro do trabalho, tendo Vieira da Silva destacado "a enorme aceleração do processo tecnológico" e o facto de as mudanças afetarem não só a produção, mas também o consumo.

Para o ministro, Portugal pode ter um papel a desempenhar nesta nova revolução industrial, que depende menos de recursos naturais e métodos de produção em massa, e mais da capacidade de se ser inovador e engenhoso.

Também para Vieira da Silva "a grande questão não é se a transformação tecnológica é criadora ou destruidora de emprego, é mais saber onde cria e destrói (e o risco de não haver coincidência)".

No que diz respeito à questão da Revolução de Competências e da necessária transformação dos sistemas educacionais, a COTEC Portugal tem em curso uma iniciativa nacional denominada Transforma Talento, que visa:

  • Contribuir para o aumento do debate e da consciência sobre a realidade e as oportunidades do Talento em Portugal, partindo da sociedade civil a identificação, aceleração e alargamento das reformas necessárias.
  • Dinamizar a iniciativa sobre a transformação dos talentos produzidos em Portugal e a partilha de visões e propostas coletivas.
  • Contribuir para a definição das linhas estratégicas necessárias para o desenvolvimento e realização máxima de cada Talento e para a promoção da diversidade dos mesmos (empresariais, empreendedores, científicos, artísticos, desportivos, entre outros).

No seguinte link, pode-se consultar o estudo realizado, que aponta para 13 medidas prioritárias, entre as quais o aumento da participação da família na formação dos jovens, a identificação do talento em idade escolar com a participação de professores e escolas, a flexibilização e enriquecimento do currículo educativo, a inclusão de aprendizagens relacionais e de soft skills, o fomento da articulação entre as universidades e as empresas, a promoção do empreendedorismo e a criação de uma cultura orientada à valorização dos talentos.

A COTEC Portugal está a mapear as diversas iniciativas que, em Portugal, potenciam a Transformação do Talento. Se conhece alguma iniciativa que gostaria de referenciar, envie-nos essa informação para portal@cotec.pt

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