Publicado a 21 de Novembro de 2014

Barómetro Internacional - Resultados da Análise ao financiamento da inovação e da I&D em 2013

No passado dia 20 de Novembro foram conhecidas as principais conclusões da 9.ª edição do Barómetro Internacional do Financiamento da Inovação desenvolvido pela Alma CG, cujo objectivo é o de compreender o comportamento das empresas no âmbito do financiamento da inovação e da I&D, analisando a utilização dos programas de apoio disponíveis e o seu impacto.

Foi com base num inquérito de opinião a 1583 gestores de empresas inovadoras, oriundos de 10 países – em que se inclui Portugal (172 gestores entrevistados contra os 1411 estrangeiros) – , que o 9.º Barómetro Internacional do Financiamento da Inovação foi desenvolvido. Trata-se de um estudo ímpar a nível internacional e que se assume como o maior na área.

Os resultados do Barómetro foram apresentados por Daniel Bessa, Director-Geral da COTEC Portugal, no passado dia 20 de Novembro no Dia da Inovação, iniciativa da AIP que conta com a parceria da Alma CG.

Segundo uma das conclusões do estudo, Portugal é um país em que é difícil inovar – apenas 18% das empresas estudadas consideram fácil inovar no nosso país, ao passo que a média registada nos 10 países auscultados é de 26%, com 40% no Canadá, 38% na Alemanha, e destacando-se a Espanha com 9%.

Mesmo perante um contexto de limitação dos recursos financeiros, a importância da inovação é evidente quando 95% dos gestores portugueses a consideram indispensável ou pelo menos importante para a competitividade das suas empresas (96% a nível global). No entanto, no que toca aos aspectos prioritários para avaliar a competitividade de uma empresa, verifica-se na amostra portuguesa que é dada maior importância à satisfação dos clientes (59% contra os 44% da média global) que à capacidade de inovação (44% contra os 53% dos resultados globais) o que, segundo Nuno Tomás, Managing Director da Alma CG, «está em linha com a menor expressão que estas empresas concedem à inovação disruptiva, nomeadamente a criação de rupturas com mercados existentes e a criação de novos mercados com uma nova oferta». Mas o que é ser inovador? Investir em I&D é um factor primordial para 53% das empresas portuguesas e 47% das internacionais, embora em Portugal se valorize ainda mais o repensar continuamente a organização e os processos, considerando 61% das empresas que essa atitude é sinónimo de inovação.

Apesar de estabelecerem relação directa entre inovação e competitividade e considerarem Portugal desfavorável à primeira, 92% das empresas nacionais considera-se competitiva, superando os 83% apurados na média global do estudo. No entanto, quando se alarga a percepção aos pares os resultados são diferentes: apenas 70% dos inquiridos portugueses os consideram também competitivos. Depreende-se portanto que há uma visão optimista quanto à própria empresa, mas uma maior exigência na avaliação dos outros.

Quando questionadas sobre o âmbito em que se realiza a inovação, 95% das empresas portuguesas e internacionais dizem investir em inovações científicas e técnicas/produtos e serviços/procedimentos e processos, 50% das empresas portuguesas dizem investir para evoluir usos e comportamentos dos consumidores (inovações sociais) enquanto que 81% investem em alterações no modelo de negócios e inovação organizacional, face a 43% e 74%, respectivamente, a nível internacional.


Como financiam as empresas a I&D?
São sobretudo os capitais próprios a suportar a I&D, que geram 86% dos investimentos portugueses, em linha com os 78% da média dos inquiridos.

Depois do capital próprio é o crédito bancário (para 55% dos inquiridos portugueses contra 42% a nível internacional), os incentivos a fundo perdido e empréstimos reembolsáveis (49% que se aproximam dos 48% internacionais) – como é o caso do QREN, o principal dispositivo público utilizado –, e o SIFIDE – segundo dispositivo público usado – com 44% contra 59% a nível internacional. A propósito deste sistema de incentivos fiscais, 48% das empresas portuguesas considera que seria difícil inovar sem o SIFIDE. No entanto, 88% das empresas refere que a preparação da descrição técnica dos projectos do SIFIDE lhes ocupa muito tempo, envolvendo em média 4 pessoas nas empresas portuguesas, uma pessoa a mais do que nos restantes países.

O perfil de financiamento nacional, com a maior dependência dos capitais próprios e dos créditos bancários, tendo em conta o contexto de contracção económica que se vive, e o acesso ao crédito, pode estar na origem da maior dificuldade sentida pelas empresas portuguesas em inovar. Nuno Tomás alerta para o facto de «a importância dada aos dispositivos fiscais para fomento da inovação, embora em linha com anteriores barómetros, parece-nos ser reforçada pelo momento em que foi realizado o estudo, caracterizado pelo fim do QREN, e pela ausência de mecanismos de financiamento directo aos projectos de inovação. Situação hoje talvez um pouco minorada pela entrada do novo quadro de financiamento, o Portugal 2020».

Em Portugal, apenas 27% das empresas foram alvo de auditorias no âmbito do SIFIDE, número que nos outros países ascendeu aos 54%. Não obstante, mesmo considerando que a preparação do SIFIDE envolve muito trabalho, a grande maioria das empresas considera que, tendo em conta os resultados alcançados, vale a pena o esforço. Mas por muito importante que as empresas considerem que o SIFIDE seja, é aos incentivos a fundo perdido e aos empréstimos reembolsáveis que atribuem maior importância no desenvolvimento da competitividade (28%), das exportações (25%), dos recursos humanos afectos à I&D (23%) e da continuidade das actividades de I&D em Portugal (30%).


Impacto dos mecanismos de apoio
Os mecanismos de apoio à I&D continuam a ser identificados pelas empresas como garantes do seu desenvolvimento e crescimento, tendo considerado 29% das empresas que usufruíram de incentivos fiscais à I&D que estes benefícios lhes permitiram manter as actividades de I&D em Portugal. No caso dos incentivos a fundo perdido e os empréstimos reembolsáveis esse impacto é ainda maior, com 30% a referirem também a questão de o apoio ter permitido manter actividades de I&D em Portugal, apontando ainda 29% o aumento do número de efectivos dedicados à I&D e a melhoria da competitividade da empresa como os impactos mais significativos.

Ainda no Dia da Inovação, promovido pela AIP e pela Alma CG, Robert Atkinson, Fundador e Presidente da Fundação para a Inovação e Informação Tecnológica dos EUA, defendeu que «neste momento, Portugal está a investir muito mais em inovação do que os Estados Unidos da América». O economista canadiano afirmou ainda que Portugal «é um dos países europeus com mais políticas de incentivo fiscal para empresas» e ainda que enfrenta várias dificuldades, quer em termos de escala, de investimento tardio, ou na própria cultura da sociedade, destacando o facto de «apenas 14% dos empresários considerar necessário assumir riscos para o sucesso empresarial».

O 9.º Barómetro Internacional do Financiamento da Inovação contou com a participação de 1583 gestores de empresas inovadoras oriundos de 10 Países (França, Reino Unido, Bélgica, Canadá, Alemanha, Hungria, Portugal, Espanha, Polónia e Republica Checa). Os dados foram recolhidos no Verão de 2013 através de um inquérito online.

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