Por João Picoito

Cartografia

Fui recentemente entrevistado por uma delegação da North Carolina State University, que se deslocou a Portugal num contexto alargado sobre gestão da inovação nas empresas portuguesas. Interessava-lhes saber a minha opinião sobre a dinâmica dos fluxos de informação numa empresa e o respectivo impacto na criação de riqueza.

As empresas competitivas sabem bem que a informação gera conhecimento e que a inovação transforma esse conhecimento em riqueza. Portanto, conhecer a forma como uma empresa capta e processa a informação é o primeiro passo na gestão da inovação. De facto, numa empresa, saber gerir os fluxos de informação de entrada, de saída e em trânsito no interior da empresa, é absolutamente crítico para o sucesso da política e estratégia de inovação na empresa.

Numa empresa do conhecimento o sistema de informação está normalmente dependente de muitas variáveis, com complexas relações de interacção internas sobre a informação/conhecimento entrado. Neste contexto, qual é a informação que tem que se recolher para assegurar o sucesso do processo de inovação? E com que meios e interfaces de recolha? E como se filtra a informação para «alimentar» o sistema de inovação? E como se garante que esse filtro não «mata» erradamente boas ideias ou promove disparates?

Por outro lado, há que considerar os fluxos internos que resultam do processamento do conhecimento endógeno na empresa, por exemplo, originado nas áreas de I&D ou de «marketing». Quanto deste conhecimento resulta da informação captada na envolvente externa e em que proporções? Um dos processos mais triviais de um sistema de gestão da inovação é o chamado «banco de ideias», criado sobre uma plataforma de gestão do conhecimento, onde os colaboradores são estimulados - através de mecanismos internos de recompensa - a «depositar» as suas ideias inovadoras que, em caso de valor económico relevante, são implementadas. Qual a importância desta e de outras plataformas de gestão do conhecimento no processo de criação de valor económico?

Como se sabe, infelizmente, não há respostas fáceis para estas questões. Contudo, as empresas inovadoras sabem que a melhor forma de captar a informação é funcionando em rede, com as interfaces apropriadas. Talvez seja este um dos objectivos da NC State University, tornar-se numa interface excelente na ligação Universidade-Indústria.

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