Publicado a 30 de novembro de 2015

Cateter biodegradável vence Concurso Nacional de Inovação do Novo Banco

Será numa cerimónia no dia 1 de dezembro que o Novo Banco irá distinguir os vencedores deste ano do Concurso Nacional de Inovação. O vencedor absoluto foi o projeto HydrUStent, um cateter biodegradável e os outros dois projetos de inovação distinguidos, um dosímetro para o tratamento do cancro da próstata da Nu-Rise e um sistema de medição baseado em fibra ótica que permitirá reduzir custos de manutenção dos navios da Fibersail.

© jornal Expresso

 

A edição de 2015 do Concurso Nacional de Inovação do Novo Banco recebeu 75 candidaturas (54 na área da saúde, 12 no segmento de indústria têxtil, design e moda e 9 ligadas à economia oceânica). Para além do projeto vencedor, foram ainda atribuídos prémios a duas startups, num valor global de 130 mil euros.

Denominado HydrUStent, o projeto que venceu o Concurso nasceu de uma ideia há três anos atrás por Estêvão Lima, médico urologista e Professor na Universidade do Minho, que queria na sua prática clínica encontrar um cateter que minimizasse os riscos de infeção dos doentes renais e que permitisse dispensar segundas cirurgias para a remoção do dispositivo.

Foi então que a dupla de investigadores Rita Duarte e Alexandre Barros começou a trabalhar na solução: um cateter urológico feito a partir de materiais de origem natural. As características deste novo produto tornam-no biodegradável, permitindo que se desfaça no organismo e seja expulso pela urina, sem necessidade de recurso a uma cirurgia de remoção. Daí resultará um menor risco de infeção do doente e menores custos de tratamento. Rita e Alexandre fazem parte do grupo de investigação 3B, criado em 1998 na Universidade do Minho. No ano passado Rita Duarte e Alexandre Barros começaram a preparar a adaptação do seu projeto do controlado ambiente de laboratório para o competitivo mundo dos negócios.

A distinção do HydrUStent traduz-se num apoio de 50 mil euros, «o que faltava para podermos constituir a empresa», afirmou Rita Duarte. A investigadora espera criar a empresa no início do próximo ano. Para passar da ideia ao negócio, a equipa de Rita precisará ainda de um investimento de 1,6 milhões de euros, estando especialmente interessada na captação de um investidor estrangeiro. A verba servirá para custear os testes e ensaios que decorrerão nos próximos dois anos para obter as autorizações regulamentares que permitirão comercializar o HydrUStent na Europa e nos Estados Unidos da América.

Rita Duarte e os seus parceiros já identificaram uma empresa à qual poderá ser contratada a produção dos cateteres. Mas os planos da investigadora vão mais longe: uma vez que não dispõem da experiência comercial que os gigantes do sector têm, os promotores do HydrUStent esperam conseguir uma parceria com uma companhia multinacional de dispositivos médicos. «O nosso objetivo é, após obter a aprovação regulamentar, encontrar um parceiro estratégico. Precisamos de alguém que já tenha a máquina de distribuição implantada», explica Rita Duarte. Com os dispositivos tradicionais a custar entre 20 e 50 euros, a equipa da Universidade do Minho acredita que o fator inovação lhes permitirá faturar mais.

«Queremos que o custo do nosso stent (cateter) seja mais elevado», nota a mesma responsável. Esse acréscimo de custo será o prémio que a equipa portuguesa quer reter pelo benefício económico que também irá proporcionar aos hospitais, já que o custo dos tratamentos de doentes com problemas renais poderá cair cerca de 60%.

O Concurso Nacional de Inovação do Novo Banco irá também distinguir uma solução da Nu-Rise, spin-off da Universidade de Aveiro, com um prémio de 30 mil euros. Trata-se de um dosímetro para o tratamento do cancro da próstata que usa sondas descartáveis de fibra ótica e permite ter maior precisão, implicando um menor tempo de recobro para o doente.

Na categoria setorial ‘Economia Oceânica’, o concurso de inovação do Novo Banco irá premiar este ano a Fibersail, uma startup que desenvolveu um sistema de medição baseado em fibra ótica que permitirá reduzir custos de manutenção dos navios. O projeto receberá também 30 mil euros, dos quais 10 mil são para registo de propriedade intelectual.

Fonte: jornal Expresso

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