CNE elege FoodMetric

E o vencedor é... a FoodMetric. O projecto de biotecnologia de Aveiro arrecadou o primeiro prémio do Concurso Nacional de Empreendedorismo promovido pela Caixa Geral de Depósitos e pela Universidade Nova de Lisboa. A FoodMetric recebe, desta forma, 25 mil euros que serão aplicados no capital social da empresa. O projecto vencedor dedica-se ao desenvolvimento e implementação de metodologias para a análise química de produtos alimentares e promete vir a dar cartas no sector agro-alimentar.

POR ROGER MOR

Uma análise química de uma amostra de azeite demora hoje cerca de dez horas. Se pensarmos que, por dia, uma empresa chega a ter vinte ou trinta amostras, é fácil fazer contas e perceber como este processo é moroso. A FoodMetric quer apresentar-se no mercado como criadora de valor para as empresas que têm de se sujeitar a este tipo de análise química. Ana Daniel, uma das promotoras do projecto, esclareceu que no caso do azeite, a solução apresentada pela FoodMetric irá reduzir o tempo da análise de dez horas para apenas cinco minutos. Por esse motivo, Ana Daniel não hesita em apresentar o projecto como uma forma de criar valor às empresas. Aumenta em 80 por cento a rapidez da análise, reduz em 30 por cento os custos e ainda oferece a possibilidade de personalização e adaptação da informação recolhida. Vantagens que os sectores da produção de óleos e gorduras alimentares e da transformação de cereais e bebidas vão sentir em breve.

 

A FoodMetric, que conta com o capital de risco da Change Partners, possibilita assim, através de soluções personalizadas, que as empresas do sector agro-alimentar aumentem a sua performance e a sua rentabilidade através da interpretação inteligente e extremamente rápida dos dados laboratoriais. Com um potencial de mercado a rondar os 5,5 mil milhões de euros, a FoodMetric tenciona alcançar, no quinto ano de actividade, 1,4 milhões de euros de facturação e, passados sete anos, atingir o break-even.

Biotecnologia é a vencedora
Além da FoodMetric, outros quatro projectos - Bioalvo, MagBiosense, BioHiTec e SkyData - foram premiados com um computador e um servidor Fujitsu-Simens e software empresarial da Microsoft. Três destes projectos encontram-se já numa fase adiantada de implementação, tendo sido já constituídas as sociedades que os irão desenvolver. Até ao final deste ano e no decorrer do próximo, está prevista a constituição de mais duas sociedades.

No que respeita à angariação de apoios, dois dos projectos premiados já obtiveram financiamento do capital de risco e quatro delas encontram-se numa fase de negociação de parcerias. Para além de instituições de cariz financeiro, os projectos mereceram ainda o apoio de alguns investidores institucionais, sendo que quatro deles foram aprovados no âmbito da Iniciativa NEOTEC da Agência de Inovação.

A dinamização do empreendedorismo, a necessidade de criar novos negócios que contribuam para a solidificação do tecido empresarial português, a criação de emprego e riqueza são motivos suficientes para que empresas e universidades se unam em projectos semelhantes ao Concurso Nacional de Empreendedorismo (CNE) capazes de promover as condições para a criação de maior valor na economia nacional.

Na sessão de encerramento do CNE, Leopoldo Guimarães, reitor da Universidade Nova de Lisboa, falou precisamente neste elo entre a universidade e as empresas que, a seu ver, pode potenciar o desenvolvimento e a mudança de factores culturais. Leopoldo Guimarães afirmou mesmo que a universidade tem a obrigação, porque recebe dinheiros públicos, de aumentar e preservar o conhecimento, mas também de responder às necessidades do País. A formação académica já não é mais um garante de emprego, como frisou o empresário Jorge Armindo, pelo que é importante criar as condições para o empreendedorismo. Mas salientou também que ser empreendedor não implica necessariamente a abertura de uma nova empresa. "È possível ser empreendedor dentro de uma organização. O empreendedor pode surgir dentro da empresa onde está inserido", assegurou Jorge Armindo, que espera que o Plano Tecnológico apresentado pelo Governo venha a promover mais empreendedorimso.

Jorge Armindo acredita que desde que os projectos sejam bons, não será por falta de investimento que eles não avançam. Foi o que aconteceu aos projectos vencedores que partiram do zero e que, neste momento, são praticamente uma realidade. Motivo pelo qual o presidente do conselho de administração da CGD, Carlos Santos Ferreira, defendeu que o propósito do CNE, "fazer da vontade realidade", foi alcançado.

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