Publicado a 01 de Julho de 2014 (última actualização em 2014-07-02)

COHiTEC 2014 - Investigadores portugueses apresentam novas ideias de negócio globais

Os 15 projectos de negócio de base tecnológica que concluíram a edição de 2014 do Programa COHiTEC foram apresentados no dia 1 de Julho, na PBS - Porto Business School, em Matosinhos. Um fármaco para impedir a progressão de Alzheimer, um kit para despiste das causas genéticas da infertilidade masculina, e um produto para a geração e armazenamento de energia através do esforço humano foram algumas das ideias de negócio apresentadas.

© COTEC Portugal

 

Da edição de 2014 do Programa COHiTEC resultaram 15 projectos, em que participaram 48 investigadores, 24 estudantes de gestão e 32 mentores. Durante o Programa COHiTEC, que decorre durante quatro meses, estas equipas multidisciplinares geram ideias de produto baseadas nas tecnologias trazidas pelos investigadores e preparam um projecto de negócio para uma de essas ideias. As tecnologias que estão na base dos projectos foram desenvolvidas nas universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Minho, Nova de Lisboa e Porto e nos institutos IBET e WavEC.

Para além da apresentação dos projectos desenvolvidos no COHiTEC em 2014, Alan Goodman, o britânico descrito por muitos como um “empreendedor em série” pelas inúmeras empresas que fundou e co-fundou, nas áreas de biotecnologia e de cuidados de saúde, falou da sua experiência enquanto empreendedor que, sem background académico, mas “cozinhando” com “ingredientes” fulcrais e muita “paixão”, conseguiu criar um império de empresas.

© COTEC Portugal

 

Numa apresentação entusiasta e muito interessante, o CEO e fundador da capital de risco Avlar BioVentures deu vários conselhos aos promotores dos projectos apresentados para os levarem para o mercado. Goodman segue algumas regras que não quis deixar de partilhar: «primeiro que tudo, estabeleçam a vossa visão e nunca se esqueçam dela», «identifiquem quem é que necessitam para a concretizar (visão)», «planeiem sempre ter mais dinheiro do que pensam que necessitam porque acreditem que vão precisar desse “buffer”», «saibam sempre à partida qual é a percentagem da empresa que estão dispostos a abdicar», «sejam apaixonados!: eu nunca invisto num projecto cujo promotor não seja apaixonado por ele e não o saiba explicar numa frase muito simples», «saibam sempre onde querem chegar, antes de pedirem financiamento a alguém» e, na sua opinião, o conselho mais importante que resume todos, «adaptem-se sempre, mantendo a vossa visão».

Dando a conhecer a sua vida à audiência e partilhando aspectos pessoais, o empreendedor solidário e fanático por carros de corrida, dirigiu-se ainda aos promotores dos projectos dizendo: «acho que vocês devem sentir-se orgulhosos e sortudos porque têm um excelente programa (COHiTEC) que vos ajuda, com MBA e mentores».

© COTEC Portugal

 

No debate que se seguiu, foram discutidas as particularidades do COHiTEC e a sua evolução ao longo dos anos, enquanto programa que se foca na valorização do conhecimento produzido nas instituições de ensino e de investigação nacionais, com vista à comercialização de tecnologias. Angus Kingon, professor americano da Universidade de Brown envolvido na estruturação e organização do Programa COHiTEC desde a sua primeira edição, em 2004, (na altura Professor da North Carolina State University), destacou que este é um programa único no mundo porque se foca na criação de empresas muito específicas, que serão sempre em número reduzido – neste momento contam-se 23 as que dele resultaram –, mas que, na sua opinião, são o tipo de negócios especiais de que a economia portuguesa necessita porque têm base na ciência e criam produção para quantidades em massa, globais. Neste sentido, Angus Kingon e Alan Goodman concluíram que 23 empresas em 11 edições é um excelente resultado, salientando Kingon o exemplo da CEV, startup criada com o apoio do Act da COTEC, que produz um fungicida orgânico com a mesma eficácia que um químico, e cuja tecnologia participou na edição de 2005 do COHiTEC. Nas suas palavras, a CEV «é única e poderá ser mesmo líder mundial» daqui a uns anos, acreditando que o impacto do COHiTEC (e Act) «será cada vez mais visível na economia portuguesa».

Ainda sobre esse impacto e a importância do Programa COHiTEC, Nuno Sousa Pereira, Dean da PBS - Porto Business School, escola que acolhe, desde a primeira edição, o Programa na região Norte (por ano, o programa realiza-se simultaneamente em duas regiões: Lisboa e Norte), afirmou que é especialmente por dois motivos que esta acção de formação se revela tão importante. O primeiro é porque o facto de os alunos da PBS participarem «faz com que desenvolvam competências que só o mundo real dos negócios suscita, através do trabalho nestes projectos». O outro dos motivos, segundo Nuno Sousa Pereira, é porque o programa se foca em projectos high-tech/high-growth, que têm muitas dificuldades/falhas envolvidas, «o que mostra aos alunos que falhar faz parte do processo, e isto, num país que lida tão mal com o insucesso, é importantíssimo», relevou. O Dean da escola de negócios da Universidade do Porto terminou dizendo que «o COHiTEC é claramente uma vantagem competitiva para a PBS».

© COTEC Portugal

 

À afirmação de que o problema que o Act (e o COHiTEC) se têm deparado não está ligado à sua alimentação com a ciência produzida em Portugal, mas sim à dificuldade em encontrar a gestão adequada para gerir o tipo de empresas dele resultantes, baseadas em ciência e dirigidas a mercados globais, Alan Goodman comentou que sabe que a produção de ciência em Portugal não é um problema, visto que ele próprio recrutou vários cientistas portugueses para as suas empresas em Cambridge. O problema está mesmo, na sua opinião, nas competências necessárias para se ser empreendedor, que Goodman crê poderem ser apreendidas, mas não todas.

No que respeita à envolvente e ao contexto nacional em que estas empresas surgem, Stephan Morais, da Caixa Capital, considera que Portugal não se compara mal com outros países da Europa porque, como afirmou, «temos, neste momento, um pipeline de empreendedores e de projectos muito interessantes, muitos mais que tínhamos há 10 anos atrás e mesmo há 3». Portugal, com um número de business angels que rondam os 50 ou 60, não tem, na opinião do Administrador Executivo da capital de risco da CGD, um problema de financiamento dos projectos disponíveis – pelo menos até ao limite do milhão de euros, valor a partir do qual tudo muda porque é necessário recorrer a fundos – mas sim, a falta de background científico desses mesmos investidores para que consigam avaliar adequadamente os negócios. De qualquer forma, Stephan Morais considera que, pode levar alguns anos, mas os business angels portugueses actuais vão evoluir e os próprios empreendedores que criam este tipo de empresas vão conseguir, um dia, fazer IPO (Initial Public Offering) das suas startups, e tornarem-se, eles próprios, business angels, que poderão investir com todo o conhecimento científico por detrás. O executivo terminou a sua intervenção dizendo que o que falta neste momento a Portugal são as empresas campeãs, reconhecidas e de mérito no exterior, e o COHiTEC, conforme afirmou, «está no centro do embrião deste tipo de empresas high-tech/high-growth em Portugal».

Pedro Vilarinho, Director do Programa COHiTEC, sublinhou acerca do programa promovido pela COTEC: «Acreditamos que a participação dos investigadores que propõem as tecnologias, a par de estudantes de gestão e mentores que completam as equipas, é o elemento diferenciador que contribui para o êxito do COHiTEC. Desde a sua criação, em 2004, já recebemos mais de 500 participantes e apoiámos 123 projectos, que deram origem a 23 empresas de base tecnológica com vocação global, que no seu conjunto angariaram um investimento superior a 17 milhões de euros».

Conheça os projectos que participaram na edição de 2014 do programa COHiTEC.

Saiba mais sobre o COHiTEC e o Act - Acelerador de Comercialização de Tecnologias da COTEC.

Consulte o programa da sessão.

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