Publicado a 09 de Julho de 2013

Conferência 'Fazia Ideia? - Gestão Estratégica da Propriedade Industrial: da Protecção à Valorização'

A Propriedade Industrial foi o tema em destaque na conferência 'Fazia Ideia? - Gestão Estratégica da Propriedade Industrial: da Protecção à Valorização', que teve lugar no passado dia 8 de Julho no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com organização da COTEC Portugal e do INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

© COTEC Portugal

 

Na conferência, foram apresentadas duas publicações sobre Propriedade Industrial e valorização de activos intangíveis, editadas conjuntamente pela COTEC e pelo INPI. 


A primeira publicação, intitulada ‘Manual para a Protecção, Gestão e Valorização da Propriedade Intelectual’ é, nas palavras de Telmo Vilela, co-coordenador da obra, «um manual que pretende servir de fio condutor à protecção, gestão e valorização da Propriedade Industrial» em Portugal. Este livro responde ao desafio lançado pela Comissão Europeia no sentido de uniformização de procedimentos nesta área e pretende ilustrar, em termos sintéticos, as diferentes fases do processo de protecção gestão e valorização da Propriedade Industrial gerada em actividades de I&D.

A segunda publicação intitula-se ‘Valorização de Activos Intangíveis - o caso da Propriedade Industrial’ e centra-se na avaliação dos activos intangíveis resultantes de direitos de Propriedade Industrial, em particular os originados por patentes e modelos de utilidade. De acordo com Paulo Osswald, co-coordenador desta obra, um dos desafios da avaliação de activos intangíveis relaciona-se com o facto de que a avaliação necessita de ter em conta o contexto no qual o activo se enquadra. Por exemplo, referiu Paulo Osswald, «não podemos avaliar isoladamente uma patente porque é preciso saber passar da invenção à inovação».

No âmbito da conferência, realizou-se também um debate sobre a interacção Universidade-Empresa, moderado por Helena Garrido, Directora-Adjunta do Jornal de Negócios. No debate intervieram representantes de empresas (TMG Automotive e Unicer), três investigadores universitários (INESC INOV, Universidade de Coimbra e Universidade do Porto) e a representante de um gabinete de transferência de tecnologia (TecMinho).

No debate, Tiago Brandão, da Unicer, chamou a atenção para a importância dos livros apresentados na conferência, referindo que «estes documentos têm um valor tangível; nós utilizamo-los nas empresas». Por sua vez, Elizabete Pinho, da TMG Automotive, considerou que «é importante que uma empresa defina a sua estratégia de propriedade industrial» e referiu que, da sua experiência, a TMG Automotive apercebeu-se de que é essencial realizar vigilância das patentes dos concorrentes.

Do lado da investigação, Gabriel Pestana, do INESC INOV, manifestou a ideia de que é necessário que, para além de investigadores de base, as universidades possuam “investigadores aplicados, que traduzam a investigação de topo para as necessidades de mercado», citando o exemplo das colaborações do INESC INOV com as indústrias da saúde e aviação, nas quais procuraram «traduzir algoritmos científicos para a linguagem do mercado». Já Hermínio de Sousa, da Universidade de Coimbra, destacou que os investigadores universitários se vêem confrontados com «falta de tempo» devido às «demasiadas actividades» que lhes são exigidas e sublinhou ainda que “na academia liga-se mais ao processo e não tanto ao produto», o que contrasta com a lógica das empresas.

Por sua vez, Romualdo Salcedo, professor na Universidade do Porto e fundador da startup Advanced Cyclone Systems, destacou o papel da cooperação para a criação de empresas de base universitária, referindo que se sente «inovador, mas não empresário» e que «não se pode querer fazer tudo», pois foi da união do seu conhecimento técnico com o conhecimento de gestão do seu sócio que a empresa nasceu.

Finalmente, Marta Catarino, da TecMinho, considerou que «nunca se fez tanta e tão boa ciência em Portugal como neste momento e nunca houve tanta preocupação em fazer investigação direccionada às necessidades das empresas». Nesse sentido, é de destacar «a importância de haver princípios básicos para tanto as universidades como as empresas terem em comum», concluiu.

No Encerramento da Conferência, intervieram Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência, Luís Filipe Costa, Presidente do IAPMEI, Leonor Trindade, Presidente do INPI e Daniel Bessa, Director-Geral da COTEC Portugal.

Na sua intervenção, Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência, destacou que «o conhecimento científico é um motor para o desenvolvimento», referindo que é necessário criar os meios e procedimentos adequados para fomentar a inovação. Por sua vez, Luís Filipe Costa, Presidente do IAPMEI, referiu que «é importante sensibilizar as nossas PME para tudo o que está contido nestas obras que hoje foram distribuídas».

De acordo com Leonor Trindade, Presidente do INPI, as duas publicações apresentadas «abordam a propriedade industrial de forma diferente» e ajudam a disseminar e explicar o sistema, um objectivo pelo qual o INPI tem pugnado. Também Daniel Bessa, Director-Geral da COTEC Portugal, chamou a atenção para o relevo da temática da propriedade industrial, referindo que «a única coisa que as universidades têm para vender é o conhecimento e, por isso, o conhecimento tem que estar protegido».

Consulte o programa da conferência.

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