Publicado a 29 de Outubro de 2011

Conselho para a Globalização 2011

«Portugueses reencontram-se» foi o mote do Conselho para a Globalização 2011, evento que, no passado dia 25 de Novembro, reuniu empresários e gestores portugueses que exercem a sua actividade em Portugal com outros que são responsáveis de primeira linha de multinacionais estrangeiras.

© COTEC Portugal

 

Patrocinada pelo Presidente da República, esta iniciativa da COTEC Portugal contou com a presença do Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação Carlos Oliveira, que assistiu à troca de impressões e experiências entre o painel empresarial convidado e a plateia.

A agenda do crescimento
A par da consolidação orçamental e da coesão social, o crescimento económico tem de ser uma prioridade para os decisores políticos portugueses. O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, defendeu, na abertura do evento, uma «agenda do crescimento» que implica reformas estruturais e políticas públicas capazes de diminuir os entraves ao investimento.

«É fundamental parar o declínio do investimento no nosso País», afirmou o Chefe de Estado português, sustentando que as políticas públicas têm de reconhecer que as empresas privadas são decisivas para a recuperação da economia portuguesa. O Presidente da República alertou também para a necessidade de se apoiar a «penetração de produtos portugueses nos mercados internacionais», devendo para tal Portugal «aproveitar as potencialidades da Diáspora». A confiança dos empresários e a imagem do País no exterior devem ser alvo de acções específicas com vista à «atracção de investimento estrangeiro de qualidade».

Portugueses reencontram-se
Exemplos de sucesso em grandes empresas estrangeiras, Armando Almeida da Nokia Siemens Networks, Armando Zagalo da Xerox, Carlos Silva Lopes da Dow e José Duarte da SAP aceitaram o convite da COTEC Portugal e partilharam opiniões acerca dos desafios e oportunidades que se colocam actualmente a Portugal, num debate moderado por Filipe de Botton, vogal da Direcção da COTEC.

«Aquilo que nos falta é um programa estratégico», afirmou Armando Zagalo, Presidente da Xerox Global Customer Operations, para quem Portugal tem grandes oportunidades de vingar. Mas, para atingir o sucesso, um país tem de ser encarado como uma empresa: «é preciso identificar os nossos pontos fortes, conhecer a nossa concorrência, saber como são tomadas as decisões, etc.». Do mesmo modo, também os gestores portugueses têm na construção de uma visão estratégica um grande desafio. «Um líder tem de estabelecer uma visão, garantir a equipa adequada, e depois executar. Mas tem faltado esta visão a Portuga», defendeu José Duarte, Presidente dos Serviços Globais da SAP, que também disse que a capacidade de concretização não é o problema: «a executar somos bestiais. Somos o tipo que carrega o piano às costas e faz o que tem a fazer. Precisamos é de saber para onde levar o piano».

Na perspectiva de Carlos Silva Lopes, Global Marketing Director da Dow Performance Additives, Portugal precisa de criar um posicionamento estratégico diferenciador, aproveitando para tal o facto de não existir uma "marca Portugal". «Construir uma marca é muito mais fácil do que reposicionar uma marca. Para além disso há um grande desconhecimento acerca de Portugal, o que é óptimo para surpreender, porque as expectativas são muito baixas», sustentou.

Apesar de a produtividade, a fiscalidade e a justiça serem, para estes gestores, elementos negativos para a competitividade nacional, a falta de diversidade de pensamento constitui o maior obstáculo. «Ao trabalhar com pessoas de todos os credos, cores e opiniões, aprendemos a respeitar a diferença, apreciá-la e depois a trabalhar em conjunto», explanou Carlos Silva Lopes, da Dow. Também Armando Almeida, Responsável pela área de Global Services da Nokia Siemens Networks, argumentou que para terem sucesso os gestores precisam de se rodear de equipas multiculturais, com capacidades distintas. «É muito importante estudar a cultura mundial. Se eu sei que os chineses são óptimos em processos, vou escolhê-los para essa área», desenvolveu.

Da sua larga experiência internacional, o painel destacou pela positiva características intrínsecas do povo português como a versatilidade, a capacidade de trabalho e de comunicação, a criatividade e o empreendedorismo. Do outro lado da moeda ficou a falta de ambição. «Quem aspira pequeno nunca pode crescer», sublinhou o representante da SAP, José Duarte, frisando que os portugueses precisam de «pensar mais alto». Igualmente, Armando Zagalo, da Xerox, manifestou sentir que os portugueses têm uma certa satisfação em ficar no 2.º lugar, rematando: «Temos de pensar que o 2.º lugar mais não é do que o 1.º dos derrotados”.

Consulte o programa do Conselho para a Globalização 2011

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