Publicado a 14 de julho de 2015 (última atualização a 2015-07-17)

Da ciência ao negócio - 15 ideias de negócio apresentadas no Encerramento do COHiTEC 2015

O Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva recebeu no dia 14 de julho a Sessão de Encerramento do Programa COHiTEC 2015. Na sessão, foram apresentados os 15 projetos de negócio de base tecnológica que concluíram esta iniciativa de apoio à valorização da ciência portuguesa. Drones aquáticos de superfície com inteligência coletiva, um dispositivo médico para um diagnóstico mais rápido e preciso do enfarte agudo do miocárdio e um sistema de apoio à gestão das redes de abastecimento de água foram algumas das ideias de negócio apresentadas.

© COTEC Portugal

 

Na edição de 2015 do Programa COHiTEC participaram 15 equipas, compostas por 46 investigadores, 14 estudantes de gestão e 33 mentores. Durante o Programa COHiTEC, que decorre durante quatro meses, estas equipas multidisciplinares geram ideias de produto baseadas nas tecnologias trazidas pelos investigadores e preparam um projecto de negócio para uma de essas ideias. As tecnologias que estão na base dos projectos foram desenvolvidas nas universidades de Aveiro, Coimbra, Évora, ISCTE-IUL, Lisboa, Nova de Lisboa e Porto, no Instituto de Telecomunicações, no Laboratório Nacional de Energia e Geologia e nas empresas AdaptTech e EngiScience.

Para além das apresentações dos projectos, a sessão contou com a intervenção de José Cabrita, Office Head do escritório de Madrid do Fundo Europeu de Investimento (FEI), «um fundo de fundos de investidores», conforme afirmou. Cabrita centrou a sua apresentação nos investimentos do FEI dirigidos a fundos especialmente dedicados ao apoio à inovação e à tecnologia, neste último caso à sua transferência para o mercado. Com 63,7% de financiamento do BEI (Banco Europeu Investimento), 24,3% da Comissão Europeia, e 12% de instituições financeiras públicas e privadas de toda a Europa, o FEI já realizou 32 investimentos em fundos na área da transferência de tecnologia desde 2001, no valor de 498 milhões de euros, correspondendo a 46% do valor total desses mesmos fundos.

© COTEC Portugal

 

Seguiu-se o debate, moderado por Pedro Vilarinho, Diretor do Programa COHiTEC, e que contou com a intervenção, para além do orador principal, de Paulo Bento (Presidente do INDEG-IUL), Ramon O’Callaghan (Dean da PBS - Porto Business School), Ricardo Torgal (Portfolio Manager na Caixa Capital) e Steve Markham (Professor na NCSU - North Carolina State University).

Na discussão sobre a proveniência do empreendedorismo, O’Callaghan considerou que não está em causa o facto de este poder ser ensinado, porque a sua opinião é um evidente «sim», mas «como deve ser ensinado». Steve Markham corroborou e acrescentou que «podemos ensinar tudo no empreendedorismo, menos a paixão». Paixão essa que, para o Professor na NCSU, tem de vir dos interesses de cada um, dado que o empreendedorismo é sempre transversal a todas as áreas/disciplinas não devendo ser ensinado numa disciplina à parte, mas como a aplicação da paixão que se quer desenvolver, materializar.

E quando acaba o empreendedorismo? O Dean da PBS levantou a questão de que «há muito foco nas fases iniciais do empreendedorismo, exemplo da criação de uma startup», mas que pouco se fala das fases seguintes. «Já não as podemos chamar de empreendedorismo?», indagou. Markham prosseguiu no tema para falar na importância dada nos Estados Unidos à “mistura” dos fundos que uma startup seleciona para se desenvolver depois das primeiras fases. É para garantir financiamento em fases posteriores que é tão importante, como destacou Steve Markham, que se envolvam as «good sources of money», partes interessadas na continuidade da startup e, cuja probabilidade de continuarem a apoiá-la é grande. Exemplo disso são os fornecedores ou clientes e, no lado oposto, o crowdsourcing com “não conhecedores do negócio” e partes não diretamente interessadas na sua continuidade.

© COTEC Portugal

 

Ainda sobre financiamento a startups, José Cabrita referiu a falta de “private equity” que existe na indústria europeia. «Na Europa há muitos comentários de VC [Venture Capitalists] que dizem “este é um bom projeto mas tem de estar nos EUA”», disse. «Estamos a mover as startups europeias para os EUA», continuou. Preocupado, afirmou que a maioria dos unicórnios [empresas jovens e em rápido crescimento, avaliadas em mais de mil milhões de euros] são empresas que se transferiram da Europa para os Estados Unidos.

Ainda a propósito de (des)localização, Ricardo Torgal explicou que, também porque em Portugal existem projetos muito promissores na área das Ciências da Vida mas poucos investidores com competências para reconhecer o seu potencial, a Caixa Capital formou um “Clube Europeu de empresas de capital de risco”, não só para angariarem mais financiamento, mas precisamente para privarem do conhecimento de peritos europeus que sabem avaliar projectos desta natureza.

O Programa COHiTEC é uma iniciativa da COTEC Portugal - Associação Empresarial para a Inovação, que conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos e da Caixa Capital e é realizada em parceria com o Centro HiTEC da North Carolina State University, a Porto Business School e o INDEG-IUL ISCTE Executive Education.

Desde a sua criação em 2004, e contando com a edição que agora termina, já participaram no Programa mais de 450 investigadores, 230 estudantes de gestão e 100 mentores. Os 151 projetos de negócio apresentados nas Sessões de Encerramento do Programa deram origem a 26 startups, as quais conseguiram atrair, até à data, investimento num valor superior a 35 milhões de euros.

Conheça os 15 projetos da edição de 2015 do Programa COHiTEC apresentados na sessão.

Saiba mais sobre o COHiTEC e o Act - Acelerador de Comercialização de Tecnologias da COTEC.

Consulte o programa da sessão.

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