Publicado a 31 de Outubro de 2014

EDP vence Prémio de Mérito Empresarial Luso-Chinês na categoria inovação

A EDP foi a grande vencedora da categoria “Inovação - Empresas portuguesas” dos Prémios de Mérito Empresarial da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, que avaliam a inovação nos produtos, nos serviços e nos negócios das empresas nacionais que mantêm parcerias com empresas chinesas.

A iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria Luso Chinesa, com apoio da AICEP e da Embaixada da China em Lisboa, visa reconhecer as empresas que nos últimos cinco anos se destacaram nas relações entre os dois países.

Das três finalistas seleccionadas para receber o prémio, EDP, DST e TEKEVER foi a energética que recebeu a distinção, atribuída na gala da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, que decorreu a 30 de Outubro no Hotel Pestana Palace. Ainda na categoria inovação, mas do lado chinês, a Fosun, que em Maio adquiriu 80% da Caixa Seguros, foi a empresa vencedora.

EDP: Portugal como plataforma para a lusofonia
A estruturação de negócios inovadores foi um dos critérios para a selecção dos nomeados para a categoria Inovação. No caso da EDP, o facto de as parcerias estratégicas com empresas chinesas ter sido estabelecido com países da lusofonia, contribui para a atribuição do prémio.

A empresa estruturou três investimentos no Brasil com a China Three Gorges, fazendo com que Portugal servisse de plataforma para o investimento chinês na lusofonia. Tratam-se de três barragens: Santo António do Jari, Cachoeira Caldeira e São Manoel.

A hidroeléctrica de Santo António do Jari, no Pará, tem uma potência instalada de 373,4 MW e o prazo de concessão durará até Dezembro de 2044. O investimento previsto é de 348 milhões de euros. A central recebeu em Setembro autorização da Agência Nacional de Energia Eléctrica (Aneel) para iniciar a operação comercial da primeira unidade, com capacidade instalada de 123,33 MW.

A Cachoeira do Caldeirão, em Amapá, tem uma potência instalada de 219MW e uma concessão até Dezembro de 2048. O investimento estimado é idêntico à do Jari. A 27 de Junho, foram vendidas 50% das participações detidas pela EDP Energias do Brasil no empreendimento à CWEI (Brasil) Participações Ltda., subsidiária da China Three Gorges Corporation. O valor total da operação foi de 126 milhões de euros.

O terceiro investimento, entre os estados do Mato Grosso e Pará, no rio Teles Pires, terá uma capacidade instalada de 700MW e a concessão durará até Agosto de 2049. O investimento total estimado é de 854 milhões de euros e a operação começará em 2018.

Outros projectos da energética estarão ainda em análise no Brasil e em África.

Saiba mais sobre as outras duas finalistas:

DST com empresa chinesa nas telecomunicações
Foi em Agosto de 2012 que foi firmado o primeiro contrato comercial com a chinesa ZTE (também nomeada na categoria Inovação pelo lado das empresas chinesas) no âmbito do projecto das Redes de Nova Geração das Zonas Rurais. Mas a relação entre o grupo de Domingos Santos Teixeira (dst) e a ZTE foi para além das redes de fibra óptica desenvolvidas no Norte do país. Mais recentemente, a dst assinou com a empresa de telecomunicações e tecnologias chinesa dois outros protocolos: um bilateral e um outro quadripartido com a ZTE, a Universidade do Minho e a InvestBraga.
O protocolo bilateral diz respeito ao desenvolvimento e financiamento de um projecto de inovação em tecnologias de informação, inserido no âmbito dos projectos em curso da dstelecom.

Já o protocolo com a ZTE, a Universidade do Minho e a InvestBraga consiste no desenvolvimento de um centro de competências na área das telecomunicações em contexto urbano, «com particular enfâse no desenvolvimento do conceito de "smartcities"», explicou o Presidente da dst, José Teixeira. Apesar de ainda estar em estudo, sabe-se apenas que este centro será de investigação e localizado em Braga.

Quanto aos resultados do primeiro contrato, o Presidente do grupo dst considera que contribuíram para a redução das assimetrias em contexto rural. O contrato, no valor de 100 milhões de euros, foi «integralmente cumprido» e contribuiu para que as populações e empresas ficassem «servidas de uma tecnologia única em contexto rural».
Sobre os prémios de mérito da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, José Teixiera destaca o facto de ser um «reconhecimento do sucesso alcançado no estabelecimento de parcerias com empresas chinesas e na angariação de fundos chineses».

TEKEVER ajuda China a comunicar no espaço
Presente na China desde 2006, com produtos na área do software para ambientes móveis, o desafio da portuguesa TEKEVER na China tornou-se espacial. A empresa portuguesa fechou um acordo com o Shanghai Engineering Center for Microsatellites (SECM), que constrói e lança micro-satélites, e a entidade vai usar uma tecnologia “made in” Portugal.

A tecnologia está a ser desenvolvida pela TEKEVER desde 2007 e começou por ser uma plataforma de Software-Defined Radio (SDR). Mas agora vai permitir suportar comunicações entre satélites, e entre estes e a Terra. «Está neste momento em curso o processo de integração desta tecnologia nas plataformas de satélites chineses, estando prevista a primeira entrega de equipamentos nas próximas semanas», afirma Ricardo Mendes, Administrador da empresa, que explica ainda que a "GAMALINK" é uma plataforma de tecnologias de comunicação espaciais que permite a ligação entre satélites e entre estes e estações de controlo terrestres.

Para entrar no sector aeroespacial chinês, a TEKEVER começou por contactar o SECM, tendo a sua tecnologia sido analisada de forma «exaustiva» pela entidade chinesa, que faz parte da Chinese Academy of Sciences. Depois de firmada, a parceria entre a TEKEVER e o SECM será de «longo prazo» e incluirá outras missões nos próximos anos. «Esperamos um enorme sucesso», comenta, considerando que para esse sucesso contribuirá «o ambicioso programa de missões do nosso parceiro». E conclui: «Esta é uma parceria entre duas entidades plenamente confiantes na sua tecnologia e na sua capacidade de satisfazer uma cada vez maior necessidade do mercado mundial».

Conheça os restantes vencedores das outras categorias a concurso:
A China Three Gorges venceu na categoria investimento chinês em Portugal, por ter protagonizado o primeiro grande investimento chinês no nosso país. Já a Caetano BUS foi a portuguesa vencedora pelos 20 milhões de euros que investiu com a abertura de uma fábrica em Dalian.

No que respeita a vendas para a China ganhou a Fisipe, que exporta mais de 95% do que produz, tendo a China como um dos principais mercados. Na categoria exportações chinesas para Portugal, venceu a Yingli Solar Panels, parceira da Acciona Energy, uma das maiores centrais solares fotovoltaicas do Mundo, em Moura.

No sector agro-alimentar, a empresa portuguesa vencedora foi a Enoport. Do lado chinês, a vencedora foi a Shangai City Shop, pioneira na importação de produtos alimentares portugueses.

Na categoria PME, venceu a Filkamp, que exporta para 31 países, sendo mais de 30% para a China. A Noble Fortune é responsável por mais de 70 milhões de euros de investimento chinês no sector imobiliário em Portugal.


Fonte: Diário Económico

Subscreva a nossa newsletter
Preencha corretamente os campos
Pesquisa
Escreva o que pretende procurar
Resultados da pesquisa
Sugerir a um amigo