Publicado a 4 de Fevereiro de 2015

Efacec e FEUP vendem tecnologia a empresa de energias renováveis australiana

A Efacec e a FEUP assinaram com a empresa australiana Dyesol um acordo de comercialização para uma tecnologia inovadora de soldadura assistida a laser para selagem eficaz de suportes de vidro em painéis solares. O acordo prevê o desenvolvimento adicional da tecnologia sendo que, se todos os objectivos forem cumpridos, Efacec e FEUP receberão um total de 5 milhões de euros pela venda da tecnologia.

© UP

 

A tecnologia comercializada resulta de dois projectos em consórcio – SolarSel e WinDSC -, o primeiro dos quais participou em 2012 no Programa COHiTEC da COTEC Portugal com vista à avaliação do seu potencial comercial. No consórcio para o desenvolvimento da tecnologia participaram a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) em colaboração com a Efacec, com a contribuição da Agência de Inovação (QREN), CUF-QI,CIN e EDP.

O conceito que esteve subjacente ao desenvolvimento da tecnologia foi o da melhoria de um tipo de células solares muito promissoras: as células sensibilizadas com corante (DSC). De facto, embora estas células possuam diversas características com elevado potencial (baixo custo de produção, melhor performance em condições de luz difusa e semi-transparência, entre outras), a sua selagem constitui um problema, dada a necessidade de assegurar a sua estabilidade a longo prazo.

Uma equipa da FEUP, constituída pelos docentes Adélio Mendes e Joaquim Mendes e pela investigadora Luísa Andrade, conseguiu resolver este problema, e com o apoio da Efacec «foi possível introduzir esta tecnologia no mercado a um custo muito baixo e com características que a tornam única a uma escala mundial e bastante competitiva quando comparada com a tecnologia de silício que habitualmente ainda vigora no mercado das energias», refere em comunicado a Universidade do Porto.

O acordo estabelecido com a empresa Dyesol prevê o pagamento, numa primeira fase, de 500 mil euros para um período de 15 meses, durante os quais a tecnologia de selagem vai ser modificada para utilização em células solares que utilizam perovskita. Trata-se de um material que se descobriu recentemente servir para recolher a luz e transportar cargas positivas, e que permitirá eliminar a componente “líquida” das células solares sensibilizadas com corante (DSC), que constituía o seu “calcanhar de Aquiles”. Nos 24 meses seguintes, serão efectuadas as especificações técnicas finais, que em caso de sucesso darão lugar a um pagamento de 1,7 milhões de euros. Por fim, outros 2,8 milhões de euros serão atribuíveis à Efacec e FEUP como royalties do processo de comercialização dos painéis solares e módulos da Dyesol que utilizem a tecnologia.

De acordo com Ian Neal, presidente da empresa de energias renováveis Dyesol, «a durabilidade é o maior desafio técnico no mercado fotovoltaico. Esta tecnologia de soldadura tem o potencial para garantir mais de 20 anos de vida aos produtos de DSC em estado sólido em diversas aplicações, pelo que estamos muito entusiasmados com as perspectivas comerciais». A empresa espera produzir um protótipo para demonstração dos painéis solares em 2016, sendo que em 2018 o produto estará a ser produzido em massa.

Por sua vez, Adélio Mendes, um dos investigadores da FEUP envolvidos no projecto, considera que «ao vendermos tecnologia de ponta a empresas internacionais estamos a dar provas da nossa capacidade de I&D&I para produzirmos valor industrial, e podemos mais facilmente captar novos investimentos para tantos outros projectos». Já Alberto Barbosa, membro do Conselho de Administração da Efacec, considerou que se tratou de «mais um caso de sucesso de parceria entre a Efacec e o mundo universitário... [A Efacec e a FEUP] identificaram, em tempo útil, a possibilidade de desenvolver uma nova tecnologia de ruptura face ao tradicional silício».

Fontes: Universidade do Porto e PVTech

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