Publicada a 3 de abril de 2016

FMI: Portugal é dos países que menos gastam em I&D, que pode aumentar PIB em 5%

Segundo o 'Fiscal Monitor', as empresas portuguesas estão entre as que menos gastam em investigação e desenvolvimento (I&D) na Europa. O relatório do FMI sugere que a despesa nesta rubrica aumente 40% nas economias avançadas para que o PIB aumente em 5% no longo prazo.

A conclusão vem no segundo capítulo do ‘Fiscal Monitor’, publicado no dia 31 de março pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Nele, os técnicos do FMI concentram-se no estudo de políticas públicas que permitam estimular a inovação e o crescimento. No centro de qualquer estratégia deve estar o I&D.

Segundo o estudo, se as empresas reforçarem a despesa com essa rubrica em 40%, o produto interno bruto (PIB) desse país poderia aumentar 5% no longo prazo. Um valor que poderia ser ainda mais alto em termos globais, devido ao contágio tecnológico. Os custos orçamentais deste esforço são estimados em 0,4% ao ano.

Se há país que tem trabalho por fazer é Portugal. Segundo os dados do Eurostat, Portugal é um dos países onde as empresas menos gastam com I&D. Em 2014, era equivalente a 0,59% do PIB, enquanto a média da União Europeia estava nos 1,3%. Ou seja, menos de metade face à média comunitária.

Entre as economias cujas empresas mais gastam com I&D estão Finlândia, Suécia, Áustria, Dinamarca e Alemanha. Entre os que estão abaixo de Portugal, apenas Chipre, Letónia, Grécia e Eslováquia pertencem à zona euro.

Se olharmos para o investimento realizado pelo Estado, Portugal compara ainda pior. Entre todos os países para os quais o Eurostat tem dados, apenas Chipre, Irlanda e Dinamarca apresentam valores mais baixos. A despesa pública portuguesa com I&D é equivalente a 0,08% do PIB. A média da UE é 0,25%.

Além de recomendar o aumento dos gastos com esta rubrica, o FMI sugere também que os incentivos orçamentais sejam o mais eficientes possível, para que tenham um papel importante também durante recessões. Incentivos fiscais pouco eficientes devem deixar de existir. «O tratamento fiscal preferencial de pequenas empresas é um instrumento demasiado abrangente para dinamizar de forma eficiente a atividade empreendedora», pode ler-se no relatório do Fundo. «Pode até prejudicá-las [as pequenas empresas] ao criar uma "armadilha da pequena empresa", que as mantém num tamanho pequeno para que sejam elegíveis para este tratamento especial».

Os técnicos do FMI sublinham também a necessidade de desenhar políticas orçamentais que «puxem» pelo investimento no sector privado. «Novos dados neste capítulo sugerem que subsídios para a investigação e incentivos fiscais destinados a gastos de I&D podem promover efetivamente o crescimento da produtividade», referem.

Além disso, o relatório conclui ainda que não devem ser as pequenas empresas a ter prioridade sobre os apoios públicos, mas sim a novas sociedades.

Faça download do referido capítulo do relatório do FMI.

 

Fonte: Jornal de Negócios

Subscreva a nossa newsletter
Preencha corretamente os campos
Pesquisa
Escreva o que pretende procurar
Resultados da pesquisa
Sugerir a um amigo