Publicado a 04 de Novembro de 2012

inCentiva-se colaboração em Leiria

No passado dia 19 de Outubro, o Castelo de Leiria foi palco para o ‘Dia inCentea’ em que as empresas do universo COTEC puderam conhecer a actividade desta PME da Rede PME Inovação.

© COTEC Portugal

 

Com mais de 100 convidados este foi um dos ‘Dias da PME’ mais participado, iniciativa dirigida aos Associados da COTEC Portugal e aos membros da sua Rede PME Inovação, que visa reforçar o conhecimento das competências das empresas do universo COTEC e fomentar a colaboração entre elas.

Caracterizada por uma forte cultura de inovação, que influencia fortemente a forma como gere e valoriza os seus 90 colaboradores, a inCentea presta serviços na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, desenvolvendo, implementando e dando suporte a Sistemas de Informação para a Gestão.

© COTEC Portugal, inCentea

 

Falando da época dos descobrimentos e comparando as dificuldades de outrora com a crise de hoje, António Poças, CEO da inCentea, deu início ao evento afirmando que “tal como eles, temos de ter a capacidade de nos superarmos e vermos mais longe (…) juntos vemos mais longe, vamos mais longe e temos mais vida”. Terminou o seu discurso dizendo que “este encontro acontece porque acreditamos na partilha de ideias, e é dessa forma que vemos a inovação. A inovação é essencialmente mudar mentalidades e acrescentar valor aos nossos clientes.”

Daniel Bessa, referindo-se à “primeira fase” da vida da Associação como aquela em que “tentou colocar a inovação no ambiente empresarial de Portugal”, citou a segunda fase como a etapa em que “estamos empenhados nos resultados”. Centrado na questão dos resultados, o Director-Geral da COTEC Portugal, assegurou que Portugal faz melhor a montante e pior a jusante, consequência de um problema de processos, que resulta na falta de produtividade e eficiência. Talvez seja por isso que Portugal, “como se costuma dizer, é um país com muitas iniciativas e poucas acabativas”, afirmou.

Certo de que os bons resultados nunca surgem por acaso, e seguro de que “em 99% das situações há sempre muito esforço e mérito”, Daniel Bessa espera que as empresas sigam os procedimentos e métricas necessários para chegar aos resultados e ao reporte exacto da realidade.

© COTEC Portugal, inCentea

 

Cultura de inovação
Rosa Pedrosa, Directora de Recursos Humanos da inCentea, falou da cultura de inovação e da forma como as pessoas são geridas na empresa, agora com 25 anos. Apresentou a inovação, vista pela inCentea, como “uma equação onde se cria valor a partir de ideias novas colocadas em acção”. Convicta de que ter ideias é fácil e que o importante é a cultura, a criação de um ambiente que propicie a geração de ideias e a sua gestão e implementação efectivas, nomeou como elementos fundamentais para a existência de uma cultura de inovação nas empresas os seguintes factores:

  1. uma atitude de predisposição para a acção
  2. habilidade cognitiva 
  3. capacidade de observação
  4. mostrar abertura à mudança
  5. saber trabalhar em rede, em equipa

Tudo isso se resume, como a Directora que Recursos Humanos afirmou, a pensar “fora da caixa”, de forma partilhada. É por isso que a inCentea tem um Director de Inovação que gere a maior equipa de pessoas da empresa. Para além disso, existem os Agentes de inovação, a Comissão da Inovação (constituída por uma equipa multidisciplinar) que propõe, mensalmente, à Administração a sua actividade e reporta a toda a organização.

Para implementar essa cultura de inovação são feitos vários workshops, acções de formação, de team building, ou eventos sobre inovação para partilha de boas práticas com o objectivo de que “no final, tenhamos um processo de geração de ideias, avaliação e medição dos seus resultados” em que todos os colaboradores da inCentea possam participar. Estas actividades, que já envolveram cerca de 200 empresas, levaram a resultados concretos de obtenção de boas práticas, de motivação dos colaboradores ou até de registo formal de ideias (por 35% dos colaboradores) tendo já, algumas delas, impacto prático nos resultados da inCentea.

Projecto Primacis – Cooperar para internacionalizar
Cristovão Martins, Administrador da Primacis, apresentou o projecto inovador que juntou várias empresas nacionais concorrentes para, em conjunto, alcançarem o mercado internacional. O projecto (e empresa) com 5 anos tem, na sua génese, um conceito diferenciador: internacionalizar em conjunto com várias PME, algumas delas concorrentes directas. Nesta colaboração muitas mais-valias se destacam tal como a repartição do esforço humano, técnico e financeiro entre várias entidades, o maior leque de oferta de produtos (bens ou serviços), a maior diversificação de competências dos seus colaboradores, ou a possibilidade de maior interacção local e global em termos de gestão dos projectos.

Para o desenvolvimento do projecto, várias etapas foram percorridas, desde a escolha do produto a comercializar, ou a selecção do posicionamento nas grandes empresas, até à identificação dos parceiros e dos mercados. O último passo foi a constituição das equipas locais nos mercados (de Cabo Verde, Angola e Moçambique), processo para o qual o apoio e parcerias feitas com universidades e politécnicos portugueses ajudaram a inCentea a identificar e seleccionar estudantes desses países.

Várias consequências resultam do projecto: a criação de 4 empresas em 4 países, ou projectos realizados na Gâmbia, Argélia, Guiné e Espanha. Em termos de resultados, do total de volume de negócios da Primacis previsto para 2012, 1.500 milhares de euros são exportações de Portugal.

O mais importante, salientou Cristóvão Martins, “é que, em cinco anos, continua a haver um grande entendimento entre todas as pessoas de todas as empresas”. No projecto, onde mais de 80 pessoas já circularam (e em vários países), concluiu o seu Administrador, “aprendemos a ser uma multinacional com uma estrutura multiempresa”.

O próximo passo da Primacis vai no sentido de partilhar o conhecimento adquirido ao longo dos 5 anos de actividade através de um modelo de prestação de consultoria especializada às PME nacionais que pretendam exportar ou internacionalizar, em qualquer sector de actividade.

A importância das parcerias
Depois de Nelson Marques, Director da Unidade de Desenvolvimento da inCentea, que explicou a abordagem da empresa à implementação de Tecnologia de Gestão, Miguel Lopes, Administrador da inCentea, responsável pela área de Novos Negócios, apresentou um caso de parceria de sucesso que a empresa tem com a ISA, uma PME também pertencente à Rede PME Inovação COTEC. Foi João Margarido, Director Financeiro da própria ISA, um spin-off da Universidade de Coimbra, que explicou os contornos da parceria e identificou os motivos que levaram a esta: “o modelo que a inCentea utilizava era muito próximo do da ISA – com diferenças, tais como na área de logística –” e, para além disso, as empresas partilhavam valores comuns, ambas queriam conseguir medir os resultados de cada uma das suas áreas de negócio, e “o profissionalismo e a postura pró-activa em relação ao cliente foi um factor diferenciador para termos optado pela inCentea para implementar o ERP”. João Margarido realçou ainda que “a COTEC tem contribuído para a partilha de experiências e o trabalho em rede, o que é muito importante”.

A gestão da inovação
Focada na criação de valor, a gestão da inovação cabe ao departamento de Marketing na inCentea. Paulo Martins, Administrador da inCentea responsável pelo Marketing, explicou que “criar valor internamente não é suficiente, é preciso consultar o mercado e adaptar (as soluções) à realidade, que muda a cada hora”. Com o objectivo de aplicar o marketing 3.0, movido por valores, na inCentea criam-se condições para cada colaborador possuir uma visão 360° sempre presente, usufruindo de um sistema que permite a partilha de boas práticas, sinergias, e recolha de informação sobre os clientes e suas necessidades.

© COTEC Portugal, inCentea

 

Apropriação da COTEC pelas empresas do seu universo
No encerramento, Daniel Bessa, centrou-se em quatro conclusões. A primeira, e congratulando a inCentea pela qualidade das apresentações feitas e pela coerência demonstrada entre elas, deduziu que “as melhores práticas não estão, necessariamente, nas casas maiores, até porque as casas menores normalmente têm maior capacidade de integração”. Em segundo lugar, destacou os verdadeiros factores de diferenciação, os resultados. Na terceira conclusão, referiu-se a uma questão que para a COTEC é vital, o crescimento. “É impressionante o número de países onde dizemos que estamos e com um volume de vendas tão pequeno”, afirmou. Acrescentou ainda que o ponto mais fraco da economia portuguesa é o facto de ter um pequeno número de empresas que cresce rapidamente: “encontrar empresas portuguesas que cresçam é uma dificuldade, há um enorme défice de empresas com um crescimento agressivo” e, por isso, continuou, “o País tem de pôr o prémio/incentivo no crescimento”. Para o Director-Geral da COTEC Portugal, isso significa que as empresas portuguesas estão, fundamentalmente, numa fase de exploração, e o objectivo é que a situação evolua para exercícios de penetração muito maiores. Por isso, louvou o trabalho que está a ser feito pela inCentea como o alargamento do portfólio de produtos ou o maior número de parcerias.

Na sua última conclusão abordou um tema de regozijo: “o potencial da colaboração que a COTEC tem permitido está à vista”. O Director-Geral lançou o repto, esperando que este tipo de iniciativas seja apropriado pelos Associados e empresas da Rede e posto a funcionar sem a intervenção directa da COTEC. Disse ainda que nas empresas em que a distribuição do poder é mais efectiva, a COTEC é mais apropriada: “o valor é directamente proporcional ao grau de profissionalização ou de descentralização do poder com que estas coisas são tratadas (…), os responsáveis pelas áreas de inovação, comunicação ou marketing das empresas do universo COTEC podem fazer este tipo de papel”.

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