Publicado a 16 de novembro de 2015

IPCTN 2014 - investimento em I&D volta a descer

Segundo os dados provisórios para 2014 do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) divulgados no dia 13 de novembro, a despesa total de I&D em Portugal caiu, pelo quinto ano consecutivo, para 1,29% do PIB nacional.

Desde 2009, ano em que a despesa total em I&D atingiu 1,58% do PIB nacional, que esse investimento tem vindo a descer, passando pelos valores de 1,53%, 1,46%, 1,37% e 1,33%. Em 2014, segundo os dados provisórios divulgados, a despesa total em I&D em Portugal atingiu, globalmente, 2.229 milhões de euros, com as empresas a executarem 46% da despesa e o sector Ensino Superior 45%.

Em 2013 foram gastos mais 29,4 milhões de euros em I&D do que em 2014, e em 2009, o ano do pico, a diferença ascendeu aos 542 milhões de euros relativamente a 2014. O desinvestimento esteve no lado das empresas, que injetaram 1.028,7 milhões de euros em I&D, o equivalente a 0,59% do PIB, menos 44,2 milhões de euros do que em 2013, ano em que o investimento das empresas em I&D representava 0,63% do PIB. Se compararmos 2014 com 2012, vemos que o recuo das empresas em investigação foi ainda maior: no ano passado, gastaram menos 124,3 milhões de euros do que em 2012.

Já o dinheiro investido em 2014 em I&D pelo Estado (nas instituições dependentes da Administração Central, como os laboratórios do Estado), pelo ensino superior e pelas instituições privadas sem fins lucrativos (a maioria delas na órbita das instituições do ensino superior) foi de 1.200,4 milhões de euros. Ou seja, 0,70% do PIB, um valor igual ao de 2013. Na prática, este investimento em 2014 representa um aumento de 14,8 milhões de euros face a 2013, isto porque o valor total do PIB muda de ano para ano.

Além do financiamento, este inquérito contabiliza o número total de investigadores e outros trabalhadores ligados à ciência. Em 2014, houve ao todo 47.236 pessoas a trabalhar em I&D: destes, 38.487 eram investigadores a trabalhar o equivalente a tempo integral, avança o inquérito.

O valor representa uma subida em relação em 2013, quando havia 46.711 trabalhadores, menos 525 do que em 2014. Entre os 46.711 trabalhadores, 37.813 eram investigadores, o que representa menos 674 do que em 2014.

Estes trabalhadores distribuem-se também pelas empresas, pelo Estado, pelas instituições do ensino superior e ainda pelas instituições privadas sem fins lucrativos. A grande maioria dos trabalhadores científicos concentra-se no ensino superior (27.687) e nas empresas (16.719). Dos quatro tipos de instituições, é de notar que as empresas ganharam de 2013 para 2014 mais 499 trabalhadores, enquanto o ensino superior viu o número decrescer em 66 pessoas.

Em termos dos investigadores, este concentraram-se essencialmente no setor Ensino Superior, com 25.848 (ETI), seguindo-se o setor das Empresas, com 10.533 (ETI). O número de investigadores (ETI) por mil habitantes ativos foi de 7,4‰, mais 0,2‰ que no ano passado.

O IPCTN é o instrumento oficial de contabilização dos recursos humanos e financeiros do país em I&D. Por isso, tem em conta não só a aposta pública mas também o dinheiro das empresas privadas aplicado em investigação científica e acaba por ser um indicador do próprio desenvolvimento do país. Feito pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, este inquérito foi iniciado em 1982 e realizado a cada dois anos até 2007. Desde então, é anual, mas há sempre um desfasamento temporal na apresentação dos resultados.

Faça download do relatório com os dados provisórios do IPCTN 2014.

Fonte: IPCTN 2014 e jornal Público

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