Publicada a 29 de fevereiro de 2016

O maior espaço de “coworking” da Europa vai nascer em Lisboa

Vai ocupar um pavilhão abandonado na zona do Beato-Marvila e terá capacidade para 250 lugares de "cowork", 85 lugares em espaços reservados para startups ou PME e várias zonas para eventos. A Inauguração está prevista para junho e o investimento é da iMatch, Fundação Mais e Coworklisboa.

© Diário Económico


O espaço vai chamar-se NOW_, acrónimo para No Office Work, e resulta do investimento de três entidades: o Coworklisboa, a iMatch (Ignite Portugal) e a Fundação Mais, entre outros pequenos investidores. Uma das novidades é que vai integrar o Impact Hub, mas outras parcerias estão atualmente a ser negociadas. Terá capacidade para 250 lugares de "cowork", 85 lugares em espaços reservados para startups ou PME e várias zonas para eventos, que podem receber até 700 pessoas.

A história do conceito começou com uma visita «relativamente aleatória ao espaço, numa altura em que procurávamos um escritório mais pequeno», diz Miguel Muñoz Duarte, da iMatch. Tudo acabou por evoluir devido às características especiais do imóvel, «com o ramal e a linha do comboio dentro de portas, a vista 180 graus sobre o rio Tejo, a traça antiga das várias dezenas de pilares, e os muitos segredos e histórias que ali se sentem». Este «amor à primeira vista» com um espaço 10 vezes superior ao que a iMatch procurava acabou então por reunir várias pessoas «interessadas», «fora de série» e «especialistas nas suas áreas respetivas».

O NOW_ pretende ser um local onde, enumera Miguel Muñoz Duarte, «“freelancers”, profissionais liberais, startups, “makers”, “crafters”, “techies”, “scientists”, “designers”, “social entrepreneurs”, “artists”, etc. coincidem no mesmo espaço, onde se misturam e colidem, gerando orgânica e naturalmente diversidade, fertilização mútua e inovação».

O investimento inicial ronda os 500 mil euros e, numa primeira fase, contempla a remoção/adaptação da cobertura industrial existente e o trabalho de arquitetura de interior e instalação.

Outra das novidades deste projeto é o facto de ser o segundo espaço de "coworking" gerido pelo Coworklisboa, que tem apenas um local de partilha de espaço de trabalho, na Lx Factory, em Lisboa.

O know-how de seis anos de Coworklisboa (abriu em 2010) e a capacidade de pensar e «realizar um espaço diferente dos existentes, que rivalizasse diretamente com os melhores» a uma escala global foi o que levou a empresa a aceitar gerir o projeto. «Lisboa é hoje a cidade-meca do empreendedorismo», afirma Fernando Mendes, fundador, para quem o local em causa (zona oriental de Lisboa, entre Poço do Bispo e Beato) é «a última zona ribeirinha da cidade que precisava de se renovar», já que tudo está «por fazer», sendo «muito apetecível para quem precisa de espaços que possam ser “re-imaginados” para receber uma nova força de trabalho que é flexível, independente e nómada».

Concretamente, no espaço, haverá espaço de “coworking” para mais de 250 pessoas, “hubs” para equipas de 10 ou mais pessoas, soluções de “soft-seating” para nómadas que preferem não ter uma mesa, uma “war-room”, espaço dedicado a programas «e acções de imersão total», para empresas e outros projetos, um auditório e uma galeria de arte urbana. Integrará ainda uma incubadora social e aceleradoras na área do “hardware” e da saúde, sendo que esta já conta com uma parceria com uma universidade.

Além da unidade central, há uma nave lateral com 400 metros quadrados dedicada ao movimento Makers, com a disponibilização de bancadas de trabalho, ferramentas de fabricação digital, como impressoras 3D, e uma comunidade de novos artesãos. O NOW_ terá ainda uma zona de cafetaria servida por empresas de “street food”.

A data oficial de abertura de inscrições terá início quando for anunciada a data de abertura, possivelmente no Verão.

O espaço vem, acredita Fernando Mendes, «reforçar significativamente o ecossistema empreendedor da cidade». Miguel Muñoz Duarte reforça: «Este será o maior (e melhor) espaço de trabalho da Europa».

Impact Hub
O Impact Hub nasceu em 2005, em Londres, e é uma rede de empreendedores que se afirma como a maior comunidade de empreendedores de impacto, a nível mundial. Atuando como laboratório de inovação e acelerador de negócios, conta com uma rede de cerca de 11.000 empreendedores em 70 cidades, de 50 países.

Se tudo correr como é esperado, o Impact Hub Lisbon abre em junho, depois de serem concluídas as obras de restauro do pavilhão abandonado na zona do Beato-Marvila, em Lisboa, uma antiga unidade de apoio ao comércio ferroviário com cerca de quatro mil metros quadrados.

«O nosso principal objetivo é que o Impact Hub Lisbon seja, de facto, um hub, angariando e juntando num só propósito entidades públicas e privadas, empreendedores, investidores, Organizações Não Governamentais (ONG), multinacionais, nacionais e internacionais, quebrando barreiras e fronteiras conceptuais e físicas», explica Filipe Portela, líder da equipa de implementação do Impact Hub em Lisboa.

O espaço de 3.000 metros quadrados vai estar focado no empreendedorismo, inovação e geração de novos negócios de impacto social ou ambiental. Filipe Portela explica que o principal requisito dos projetos que vão integrar o Impact Hub é estarem de acordo com os valores e cultura da comunidade: partilha, impacto, colaboração e sustentabilidade.

«Depois, procuramos empreendedores, startups e empresas que queiram crescer, tanto em Portugal como no mundo», afirma Filipe Portela.

As candidaturas para ocupar um dos espaços disponíveis já abriram.  Um espaço individual para trabalhar custará entre 80 e 190 euros por mês, ao qual acrescem 30 euros de filiação – para acesso a eventos, notícias e formações. As empresas podem alugar um hub por uma mensalidade que oscila entre 300 e 700 euros e que inclui espaço para uma equipa entre três a 10 pessoas.

Em janeiro, também foi notícia que a Second Home – icónica incubadora londrina para startups tecnológicas e ligadas às indústrias criativas – chegaria a Lisboa em junho. Ocupará parte do Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, e terá espaço para 250 profissionais.

Fonte: Diário Económico e Observador


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