Publicado em 20 de Março de 2013

Painel de Opinião do Barómetro de Inovação COTEC avalia políticas de Inovação pela 4.ª vez

Foram hoje publicadas as respostas da quarta ronda do Painel de Opinião do Barómetro de Inovação da COTEC Portugal. Os 24 membros do Painel que se pronunciam regularmente sobre um conjunto de questões fixas e variáveis, relativas a temas considerados de oportunidade relevante em matéria de inovação, avaliaram os resultados da política de inovação em Portugal negativamente, pela primeira vez, com uma média de 3,65 numa escala de 1 a 7.

 

Foi num Encontro com alguns membros do Painel do Barómetro de Inovação COTEC que se apresentaram as respostas à nova iteracção desta secção do site “repositório” de informações sobre a inovação em Portugal e noutros países. António Melo Pires, Director-Geral da Autoeuropa, Carlos Faro, Presidente do Conselho de Administração do Biocant - Centro de Inovação em Biotecnologia, Francisco Veloso, Director da Católica - Lisbon School of Business & Economics, e Rui Paiva, Presidente da WeDo Technologies deram a sua perspectiva sobre o estado da inovação em Portugal e sobre o que os empresários, universidades, Governo e outras entidades podem fazer para que Portugal melhore a sua prestação em vários indicadores.

Tal como observado por Daniel Bessa, Director-Geral da COTEC e comentador do Painel, o resultado da avaliação de 3,65 é «claramente negativo, abaixo dos 4,2, dos 4,3 e dos 4,16 apurados nas três primeiras rondas». O Director-Geral da Associação declarou que se mantém «uma apreciação positiva sobre as tendências de fundo da inovação e das políticas de inovação no nosso País» e que «o desapontamento vem das alterações mais recentes, marcadas por um constrangimento financeiro avassalador, com destaque para o que atinge a universidade», havendo «ainda espaços de grande consenso entre os membros do Painel em temas como o papel da crise como factor de estímulo do empreendedorismo e da inovação nas empresas já existentes ou a intensidade dos desenvolvimentos tecnológicos mais recentes em matéria de mobilidade e de conectividade». Salientou ainda que são pedidos, pelos membros do Painel de Opinião, mais incentivos à contratação de jovens formados e descidas no IRC.

António Melo Pires focou o facto de não existirem «metas e métricas para aferir se os incentivos públicos à inovação estão a ter resultados concretos», como problema das políticas de inovação nacionais. O Director-Geral da Autoeuropa salientou ainda que é «necessário acabar com a dependência do Estado e dos incentivos públicos» e que a dinâmica da inovação tem de ser gerada por outros players que não o Estado, nomeadamente as empresas e outros organismos. Destacou a enorme segmentação em termos de percepção da inovação em Portugal, o que considerou preocupante porque, na sua perspectiva, é indício de que os sectores económicos não comunicam entre si. Referiu-se à fraca associação de empresas como um problema nacional, e indicou o Barómetro de Inovação da COTEC como dando «umas pistas interessantes de analisar e que devem ser utilizadas pelos empresários», aduzindo que não vê outra maneira da indústria se impor que não seja pela inovação. E continuou, dizendo que é em momentos de crise que a inovação aparece com mais intensidade, citando a própria Autoeuropa como exemplo disso mesmo.

Carlos Faro, Presidente do Biocant, assumido optimista, referiu que Portugal tem, neste momento, «um pool de talento inigualável». Nas suas palavras, «somos a geração mais bem preparada e temos um nível de infraestruturas óptimo» para catapultar Portugal numa estratégia de desenvolvimento. Salientou ainda como muito positivos os resultados nacionais na área científica, uma área com um elevado nível de internacionalização e que se caracteriza por parâmetros muito exigentes, e onde Portugal está muito bem preparado. «Temos pessoas extraordinariamente competitivas e com tecnologia muito interessante», afirmou. Como estratégias de melhoria apontou a necessidade de se «montar equipas disciplinares com os investigadores» e outros profissionais, tais como gestores, para que «haja transferência de conhecimento em valor económico» e a inevitabilidade de existir estabilidade nas políticas públicas num horizonte de 5 a 10 anos. Por último, destacou como inovações que mais o marcaram nos últimos seis meses a criação do ovo estrelado instantâneo da Derovo e a possibilidade de sequenciação do genoma humano por um valor de mercado muito baixo, de cerca de 100€.

Para o Director da Católica - Lisbon School of Business & Economics, a política de empreendedorismo deveria ser centrada não nas empresas existentes, mas sim na criação de empresas que ainda não existem: «empresas viradas para o mercado exterior, que criam muito valor e crescem rapidamente», as chamadas empresas gazela. Em termos de condições para o desenvolvimento da inovação em Portugal, destacou o financiamento como um aspecto preocupante, o qual as empresas necessitam para crescer. Considerou que «continua a não existir qualquer tipo de políticas de apoio do Governo em termos de políticas de impostos», na sua opinião «completamente negligenciadas». Como pontos positivos referiu-se à reestruturação da estrutura de Venture Capital no nosso país que, na sua opinião, «pode desenvolver esta área em Portugal», e evidenciou ainda toda a actividade empreendedora e a dinâmica de apoio ao empreendedorismo em Portugal, saudando iniciativas como a ‘Startup Lisboa’, os apoios do BES e da Beta-i, entre outros, que acredita possam vir a ter grandes resultados económicos.

Centrado na educação nacional, Rui Paiva, Presidente da WeDo Technologies, considera que repensar a formação é papel do Estado, determinante para o empreendedorismo ou inovação nacionais, porque só quando existem pessoas mais bem preparadas teremos empreendedorismo e inovação. Salientou a necessidade do aparecimento de mais alunos nas áreas das ciências, num país onde predominam os cursos de “letras” e é por isso que, segundo afirmou, «somos mais emocionais, menos racionais». Assim, o dirigente da tecnológica, apela a uma política pública que pense «mais educação na área das ciências». Ainda em matéria de educação, considera que é imperativo que primeiro se identifiquem as necessidades dos países e só depois se determinem os números clausus dos cursos.

Com uma periodicidade regular, o Painel de Opinião procura divulgar as ideias e convicções de um conjunto diversificado de personalidades reputadas da sociedade portuguesa desde empresários, gestores, académicos, jornalistas e agentes culturais, que se pronunciam sobre as orientações e resultados das políticas de I&D e de inovação.

O objectivo do Painel sobre Política de Inovação é proceder ao acompanhamento periódico sistemático das orientações e resultados das políticas de I&D e de inovação em Portugal. Dele fazem parte, por exemplo, a artista plástica Joana Vasconcelos, Luís Portela da Bial, Paulo Azevedo da Sonae, e Paulo Pereira da Silva da Renova, entre outros.

Conheça a 4.ª ronda de respostas dos membros do Painel de Opinião do Barómetro de Inovação aqui

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