Publicado em 06 de Fevereiro de 2013

Portugal continua ‘cigarra’ e fica pela primeira vez atrás da média dos países PECO

A partir de hoje encontram-se disponíveis os novos indicadores estatísticos do Barómetro de Inovação COTEC. No posicionamento global em matéria de inovação, e entre os 52 países analisados, Portugal encontra-se na 31.ª posição, tendo descido um lugar relativamente a 2011, mantendo-se como país «cigarra». Estes dados revelam que Portugal regressa à posição assumida em 2010, ficando pela primeira vez atrás da média dos países PECO (Países da Europa Central e Oriental).

© COTEC Portugal

 

O Barómetro de Inovação da COTEC, iniciativa com a parceria da Everis e da PwC, analisa, para 52 países, 67 variáveis ligadas à inovação produzidas por várias entidades (de entre as quais European Union Scoreboard, Eurostat, INSEAD, OCDE e World Economic Forum). Nessa análise são consideradas 4 dimensões (‘condições’, ‘recursos’, ‘processos’ e ‘resultados’) e 10 pilares ou vertentes de análise, que incorporam os mencionados 67 indicadores.

Por evidenciar falta de capacidade de concretização e transformação do potencial de inovação em resultados concretos com impacto económico-social, Portugal volta a ser considerado um país «cigarra». Relativamente ao ano anterior, da análise ao desempenho em 2012, verifica-se uma quebra na dimensão ‘recursos’, sobretudo justificada pela queda no «Financiamento», pilar no qual Portugal passou da 10.ª para a 31.ª posição do ranking. Esta alteração justifica-se pela forte incapacidade de financiamento quer do sector público quer do sector privado.

Segundo Daniel Bessa, Director-Geral da COTEC Portugal, o resultado mais negativo destes dados é o facto de Portugal ter sido ultrapassado pelos países PECO, que para além de reconhecidos como mais "baratos" adquirem agora o estatuto de "mais inovadores que Portugal". Quanto à evidência mais positiva dos resultados em matéria de inovação agora conhecidos, Daniel Bessa destaca o facto de Portugal se ter tornado "apesar de tudo mais eficiente" em matéria de inovação uma vez que "recuámos nas condições e recursos e melhorámos nos processos e resultados".

De acordo com o Barómetro de Inovação, a segunda descida mais acentuada de Portugal verificou-se no pilar «Envolvente Institucional». Dos 9 indicadores que constituem este pilar, 6 revelaram uma tendência negativa face ao ano anterior. O indicador «Eficiência Judicial» foi o que evidenciou uma maior quebra face ao período homólogo.

Ainda que se caracterize como um dos pilares em que Portugal evidencia maiores carências, a subida em valores absolutos do índice no pilar «Capital Humano» dá boas indicações futuras. Neste âmbito, destacam-se as subidas alcançadas nos indicadores «Percentagem de jovens com idade entre 20 e 24 anos com pelo menos educação secundária», «Participação em formação e/ou aprendizagem ao longo da vida por 100 habitantes entre os 25 e os 64 anos» e «Investigadores de I&D por milhão de habitantes». Apesar da subida evidenciada em valores absolutos, Portugal registou uma descida de 5 posições no ranking.

Comparando o desempenho com outros países, verifica-se que Portugal se posiciona abaixo da média da União Europeia, ficando abaixo dos países com dimensão semelhante à sua, sendo a dimensão ‘resultados’ aquela que mais se destaca pela negativa. A dimensão em que Portugal apresenta melhores resultados é nas ‘condições’, o que demonstra falta de eficiência e eficácia.

Face aos restantes países da Europa do Sul, Portugal detém a segunda melhor posição, logo a seguir a Espanha, sendo claramente superado na dimensão ‘resultados’ por Espanha e Itália. De uma forma geral, todos os países da Europa do Sul apresentam melhores ‘condições’ e ‘recursos’ do que ‘processos’ e ‘resultados’.

Tal como em 2011, a maioria dos países analisados (79%) é classificado como «cigarra», «abelha» ou «caracol». O perfil «cigarra», ou desperdiçador, registou a maior subida do ano (de 5 para 12 países), ao integrar seis países que anteriormente eram «formigas»: Eslováquia, Espanha, Letónia, Lituânia, Polónia e Uruguai. Estes países cresceram nas dimensões ‘condições’ e ‘recursos’, mas este crescimento ainda não se materializou nas dimensões ‘processos’ e, especialmente, em ‘resultados’.

A Suíça continua a ser o país com o melhor desempenho global, apresentando um posicionamento dentro do Top 5 do ranking em todas as Dimensões e Pilares considerados, com excepção para o «Financiamento», em que se encontra na 16.ª posição. Em termos globais, todos os países apresentam uma evolução negativa face a 2011, com excepção da Suíça, que revela um comportamento global positivo face ao ano anterior.
No lote dos países considerados «Líderes em IDI» registou-se a entrada da República da Coreia para a 4.ª posição, ficando atrás da Dinamarca e da Suécia, mas à frente da Finlândia, da Alemanha, do Reino Unido e dos Estados Unidos da América.

A génese do grupo de países considerados «Inovadores Moderados» mantém-se, sendo este grupo constituído essencialmente por países anglo-saxónicos (Canadá e Nova Zelândia), países da Europa do Sul (Portugal, Espanha e Itália), pela China e por alguns outros países do Centro e Leste da Europa (Áustria, Bélgica, Estónia, Hungria, República Checa, etc.).

Finalmente, com uma presença assídua nos últimos lugares dos rankings de dimensões e pilares, sendo por isso classificados como países que têm um desempenho fraco em matéria de IDI, mantém-se a maioria dos países da Mercosul e alguns países PECO, aos quais se junta agora a Grécia.

Faça download da apresentação dos novos indicadores estatísticos do Barómetro de Inovação COTEC aqui.

Conheça os novos indicadores estatísticos do Barómetro de Inovação COTEC em www.barometro.cotec.pt

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