Publicado a 27 de agosto de 2015

Português distinguido com melhor tese de doutoramento do mundo na área do empreendedorismo

Sérgio Costa foi distinguido com o Heizer Best Dissertation Award da Entrepreneurship Division da Academy of Management, considerado o prémio mundial mais importante na área de empreendedorismo, no passado dia 10 de agosto, em Vancouver, no Canadá, durante o Encontro Anual da Academy of Management.

Chama-se Heizer Best Dissertation Award e é atribuído anualmente pela Academy of Management, uma organização internacional na área da investigação em gestão, sedeada em Nova Iorque e considerada a mais prestigiada mundialmente. Foi a primeira vez que um português recebeu o prémio de melhor tese de doutoramento do mundo na área de empreendedorismo.

Sérgio Costa, investigador do INESC TEC, professor auxiliar convidado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e investigador visitante na Universidade de Gent (Bélgica), venceu o Heizer Award 2015 com uma tese em que analisou as alterações dos modelos de negócio em spin-offs universitárias.

Candidatam-se ao Heizer Best Dissertation Award da Entrepreneurship Division da Academy of Management os finalistas dos programas doutorais de universidades de todo o mundo. Foram nomeados três finalistas, mas foi o investigador português quem venceu com a tese de doutoramento intitulada Business Model Change in Early-Stage University Spin-offs, desenvolvida na Universidade de Strathclyde (Reino Unido).

Segundo Sérgio Costa, os critérios do júri passam pelas implicações práticas do estudo e, numa fase posterior, pela robustez da metodologia, a originalidade do tópico, entre outros. Na sua opinião, a originalidade da sua tese assenta, essencialmente, em três pontos:
1) utilização de uma metodologia indutiva e longitudinal, isto é, com recolha de dados em tempo real em vários momentos, o que permitiu perceber o que pensam os empreendedores ao longo do tempo, bem diferente de lhes perguntar a posteriori o que pensaram no passado;
2) foco nas fases iniciais de desenvolvimento destas empresas,
3) análise de cada um dos elementos dos modelos de negócio e não dos modelos de negócio como um todo.

Concluído em novembro de 2014, este trabalho foi orientado por Jonathan Levie (Universidade de Strathclyde, Reino Unido) e Marina Biniari (Universidade de Aalto, Finlândia).

Neste estudo exploratório, o investigador acompanhou oito spin-offs da Universidade de Strathclyde, realizando cerca de 98 entrevistas ao longo de 12 meses, para perceber os mecanismos de alteração dos seus modelos de negócio e o modo como estes afetam o desempenho das empresas.

«O meu objetivo era abrir o debate e gerar algumas proposições sobre como mudam os modelos de negócio. A minha tese sugere que empresas cujas equipas fundadoras detenham um elevado conhecimento de gestão e de mercado, e possuam elevada experiência em empreendedorismo apresentam, em geral, menos alterações ao modelo de negócio e uma performance superior», referiu Sérgio Costa.

O investigador introduziu, pela primeira vez nesta área, relações entre a frequência com que o modelo de negócio é alterado e certas variáveis, tais como o grau de envolvimento dos empreendedores, o conhecimento de mercado, de gestão, e de arranque de novas empresas.

Entre as principais conclusões, refere a existência de «dois níveis de modelos de negócio, um ao nível das intenções e outro da realidade», sendo diferentes e ambos mudando. Sérgio Costa sugere também que as empresas com maior desempenho tendem a interagir mais cedo – mesmo antes da sua constituição – e mais intensamente com potenciais stakeholders (clientes, por exemplo), o que permite estabilizar mais o modelo de negócio numa fase inicial. Adicionalmente, estas empresas tendem a estabelecer mais parcerias e com um espectro mais alargado de atores (privados e públicos), no sentido de acederem a mais recursos.

A tese do também professor na FCUP sugere ainda que «as empresas com pior performance tendem a lamentar-se mais da falta de recursos humanos, enquanto as empresas com performance mais elevada, como percecionam menos a falta de recursos, mudam menos os modelos de negócio».

As proposições desenvolvidas no estudo podem também ter implicações para outras empresas não spin-offs, desde que estejam inseridas em contextos de elevada incerteza tecnológica e de mercado.

O trabalho realizado pelo investigador ao longo dos últimos anos será desenvolvido no INESC TEC, onde serão testadas algumas das proposições induzidas, utilizando amostras maiores de spin-offs de diferentes universidades e geografias. Para o efeito, o INESC TEC está a criar uma base de dados com a população de todas as spin-offs universitárias portuguesas, um trabalho que está a ser articulado com as bases de dados existentes em Itália, Noruega e Reino Unido.

Aceda à tese de doutoramento de Sérgio Costa.

Fontes: Diário de Notícias e Agência LUSA

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