Publicado a 15 de Junho de 2015

Prémio Europeu do Inventor distingue vacina e partilha de dados sem fios

No total, dez cientistas receberam prémios na cerimónia de entrega dos European Inventors Award, no passado dia 11 de Junho, em Paris, em seis categorias diferentes pelos seus trabalhos científicos, numa iniciativa do Instituto Europeu de Patentes.

LEAD Technologies Inc. V1.01

© EPO

 

Um teste genético que permite adequar melhor o tratamento de cancro na mama, uma vacina para o Vírus do Papiloma Humano (HPV na sigla inglesa), tecnologia que transfere dados entre aparelhos móveis sem fios e outra que permite fazer complexas análises médicas em microchips com apenas uns milímetros de dimensão. O Prémio Europeu do Inventor foi atribuído, esta quinta-feira em Paris, a um total de dez investigadores que se distinguiram pelos seus trabalhos em seis categorias diferentes.

LEAD Technologies Inc. V1.01 O chamado Prémio Popular, que é atribuído com base em votações do público em geral, foi para as mãos de Ian Frazer (Austrália) que, com Jian Zhou (1957–1999), criou a primeira vacina contra o Vírus do Papiloma Humano, HPV na sigla inglesa. A dupla de investigadores foi eleita por 32% dos 47 mil votantes online. «Estamos assoberbados e agradecidos por este prémio. A inovação é o fulcral para o desenvolvimento de uma sociedade mas só funciona se tiver aplicação prática», disse Ian Frazer. Num emocionado discurso, a viúva de Jian Zhou confessou que o troféu a deixou com «sentimentos mistos». «Entristece-me muito o facto de ele já não estar aqui para ser reconhecido publicamente pelo seu trabalho».
 

 

O suíço Andreas Manz recebeu o Prémio de Carreira por ter conseguido descobrir uma forma de efectuar análises clínicas, biológicas ou químicas através de microships. A sua investigação deu origem aos testes rápidos de ADN para a prevenção de doenças hereditárias. «Se olhar para o meu reflexo num espelho o que vejo é um inventor com um cérebro, um computador. A economia é alimentada por dinheiro e precisamos de patentes e inovação», disse.

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Na categoria da Indústria, a distinção foi para a dupla Franz Amtmann (Áustria) e Philippe Maugars (França) que, com a sua equipa na empresa NXP, desenvolveu a tecnologia Near Field Communication (NFC). Com ela é possível transformar o telemóvel numa carteira virtual e fazer pagamentos encostando o aparelho ao terminal de uma loja, por exemplo. Quando foram anunciados vencedores, os dois cientistas levantaram os braços no ar, visivelmente satisfeitos. «É um marco da minha vida pessoal», disse Franz Amtmann. «Finalmente os meus amigos, a família e os vizinhos sabem em que é que trabalho», comentou Philippe Maugars, perante uma sala cheia no Palácio Brongniart.

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Laura van't Veer, investigadora da Holanda, recebeu o prémio Pequenas e Médias Empresas por ter inventado um teste genético que permite detectar se as mulheres com cancro de mama numa fase muito inicial necessitam de quimioterapia. Esta tecnologia ajudou até agora mais de 40 mil mulheres. Emocionada, Laura van’t Veer agradeceu à sua equipa por ter transformado a sua invenção num produto acessível.

 

Já Ludwik Leibler, na categoria Investigação, foi distinguido pelo seu trabalho sobre uma nova classe de plástico, que pode ser reparado e reciclado. No seu estado sólido é estável e semelhante a vidro, mas aquecido pode ser moldado repetidamente. Pode ser aplicado na indústria aeronáutica, automóvel, construção ou electrónica. «Sempre tive a liberdade para inventar e estou rodeado de pessoas brilhantes», destacou o investigador.

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Os japoneses Sumio Iijima, Akira Koshio and Masako Yudasaka receberam o prémio na categoria de inventores de países não europeus por terem criado os nanotubos de carbono. O processo de produção que inventaram tornou possível a utilização deste material no tratamento de cancro. Além disso, tornam os computadores mais rápidos, os automóveis e partes de aviões mais estáveis e módulos solares mais eficientes. Akira Koshio e Masako Yudasaka admitiram que «nunca, nunca» pensaram conseguir receber o troféu.

 

O Prémio Europeu do Inventor é atribuído desde 2006 pelo Instituto Europeu de Patentes. Este ano, quinze investigadores e equipas foram seleccionados por um júri independente a partir de 300 candidatos. Os finalistas são oriundos de 11 países diferentes: Áustria, Austrália, China, França, Japão, Letónia, Holanda, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

Em 2013, uma equipa de cientistas portugueses esteve entre os nomeados na categoria Indústria. António Velez Marques, Helena Pereira, Rui Reis, Susana Silva desenvolveram uma tecnologia que permite aumentar o volume da cortiça através de micro-ondas.

Fontes: Jornal Público e EPO

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