Publicado a 20 de dezembro de 2016

Quando os resíduos afinal são recursos

Restos orgânicos urbanos, compostos florestais, CO2 e um catalisador – eram estes os resíduos de algumas indústrias nacionais que agora, com um empurrão da capacidade científica e tecnológica nacional, se estão a transformar em recursos. Conheça quatro casos de projetos de pioneiros circulares, que estão a transformar resíduos em matérias-primas, acrescentando valor ao que antes era “lixo”.

Aproveitar um catalisador exausto do sector petroquímico para argamassas do sector cimenteiro - GALP Energia
No âmbito de uma tese de doutoramento, a GALP Energia e o ISEL desenvolveram uma técnica que permite aproveitar um catalisador exausto, que é um subproduto dos processos produtivos da GALP, para incorporação em materiais à base de cimento. A vida útil do catalisador é assim prolongada, sendo gerado um novo conjunto de produtos, desde constituintes principais do cimento a produtos aditivos para argamassas e betões e a ligantes hidráulicos, que possuem melhores desempenhos e maior durabilidade.

De resíduos urbanos a corretivos agrícolas para solos - LIPOR
Enquanto entidade responsável pela gestão, valorização e tratamento dos resíduos urbanos do Grande Porto, a LIPOR cedo se viu perante o desafio de valorizar os resíduos que gere. Foi nesse sentido que, em 2005, desenvolveu o NUTRIMAIS, um corretivo agrícola natural proveniente da compostagem de matérias-primas orgânicas separadas na origem. Com aplicação em solos, o NUTRIMAIS devolve à “terra o que é da terra”, diminuindo a compactação e aumentando a capacidade de retenção de água e de nutrientes das plantas.

Reduzir as emissões de CO2 através da produção de microalgas - SECIL
No âmbito do seu funcionamento regular, uma fábrica de cimento produz elevadas quantidades de CO2. Por forma a reduzir esta produção de emissões, a SECIL lançou na sua unidade de Pataias um projeto inovador de sequestro de CO2 através da produção de microalgas. Para além da sua função de captura do CO2, as microalgas têm um conjunto alargado de aplicações, que passa pela sua incorporação em alimentos, nutracêuticos, rações animais e eventualmente até biocombustíveis.

Embalagens biodegradáveis feitas a partir de resíduos agrícolas e florestais - UTAD
Os resíduos agrícolas e florestais são a matéria-prima para um novo material compósito “verde”, que é colonizado por fungos para manter a agregação e tem aplicações em embalagens biodegradáveis – como substituto, por exemplo, da esferovite – e também em vasos para a área da reflorestação e das plantas orçamentais. Desenvolvido no contexto de uma tese de mestrado da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, este projeto já foi premiado pela empresa Valorfito e participou em 2015 no Programa COHiTEC da COTEC Portugal.


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