Publicado a 17 de Outubro de 2014

Resultados do CIS 2012 - Inquérito Comunitário à Inovação

O CIS (Community Innovation Server/Inquérito Comunitário à Inovação) 2012 respeitante às actividades de inovação realizadas pelas empresas no período de 2010 a 2012 em Portugal foi disponibilizado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Nesta publicação são apresentados, para o período 2010 a 2012, os indicadores-chave que descrevem as actividades e os padrões de inovação no sector empresarial, incluindo os recursos e investimentos realizados com actividades de inovação nas empresas, os tipos de actividades de inovação realizadas (inovação de produto; inovação de processo; inovação organizacional e inovação de marketing), o grau de novidade das inovações (nova apenas para a empresa; nova para o mercado; nova para o país e nova para o mercado europeu ou mundial), a eficácia dos métodos utilizados para manter ou aumentar a competitividade das inovações de produto e processo, e o grau de importância das estratégias e obstáculos para atingir os objectivos das empresas.

Faça download do CIS 2012.
Consulte o resumo dos resultados do CIS 2012.

Destacam-se os seguintes resultados obtidos no CIS 2012 para Portugal no período 2010-2012:

Em termos globais*:

  • 54,5% das empresas em Portugal desenvolveram actividades de inovação (produto; processo; actividades de inovação abandonadas ou incompletas; organizacional e de marketing)
  • 41,2% indicaram ter desenvolvido inovação de produto e/ou processo (inclui actividades de inovação abandonadas ou incompletas) – 20,2% realizando os dois tipos de inovação em simultâneo
  • 33% das empresas referem ter introduzido inovações organizacionais e 32,6% inovações de marketing
  • 5,4% das empresas afirmaram ter abandonado actividades de inovação (produto e/ou processo) antes da sua conclusão
  • 60,7% de empresas do sector dos serviços apresentam actividades de inovação, valor superior às empresas do sector da indústria (50%)
  • Relativamente às estratégias e obstáculos que as empresas – com actividades de inovação – sentiram para atingirem os seus principais objectivos no período de 2010 a 2012, verificou-se que os objectivos considerados mais importantes pelas mesmas foram: «diminuir os custos» (75,6%) e «aumentar o volume de negócios» (72,9%). Entre os objectivos classificados com o grau de importância alta, o menos citado pelas empresas com actividades de inovação foi o de «aumentar a margem de lucro» com 52,8%.
  • As empresas com actividades de inovação consideram a «redução de custos operacionais internos» (66,9%), a «redução de custos com a compra de materiais, componentes ou serviços» (61,3%) e a «introdução de bens ou serviços novos ou significativamente melhorados» (40,8%), as três principais estratégias adoptadas para conseguirem atingir os objectivos da empresa.
  • Do total de empresas com actividades de inovação, 63% consideram a «elevada competição de preços» o principal obstáculo para alcançar os objectivos da empresa. O segundo obstáculo mais citado foi a «falta de procura» para as suas inovações (37,1%), seguido da «elevada competição na qualidade do produto, reputação ou marca» (31,5%).
  • Nas empresas com 250 ou mais pessoas ao serviço, verifica-se que 15,7% atribuem grande importância à cooperação com os seus utilizadores para modificarem os seus bens ou serviços, enquanto nas empresas de menor dimensão (10-49 pessoas ao serviço) esse valor é de apenas 11,8%.
  • 17,6% das empresas com actividades de inovação estabeleceram algum contrato de fornecimento de bens ou serviços apenas com organizações do sector público nacionais e 0,5% apenas com organizações do sector público estrangeiras. Do total de empresas com actividades de inovação, 2,5% indicaram ter estabelecido contratos de fornecimento de bens ou serviços com entidades públicas nacionais e estrangeiras.

* É de sublinhar que para uma empresa ser considerada inovadora necessita de introduzir uma inovação nova apenas para a própria empresa, não sendo necessário que a mesma seja considerada nova para o mercado da empresa.


Inovações ao nível de produto e processo:

  • As empresas com actividades de inovação de produto e/ou processo gastaram, aproximadamente, 2.168 milhões de euros com actividades de inovação, o que representa 1,58% do seu volume de negócios
  • Do montante total gasto em actividades de inovação de produto e/ou processo, 43,9% correspondem a despesas com actividades de I&D realizadas dentro da empresa e 38,8% em despesas com a aquisição de maquinaria, equipamento, software e edifícios
  • A cooperação com outras empresas ou instituições foi realizada por 19,2% das empresas com inovação de produto e/ou processo. Os fornecedores de equipamento, materiais, componentes ou software, foram o principal parceiro de cooperação para 13,2% das empresas com inovação de produto e/ou processo, seguindo-se os clientes ou consumidores do sector privado com 10,3% (Quadro 3). Os clientes ou consumidores do sector público foram os parceiros de cooperação menos indicados pelas empresas (4,9%).
  • A «redução do tempo desde a concepção do produto até à sua disponibilização no mercado» foi o método mais eficaz indicado por 25,6% das empresas com inovação de produto e/ou processo para manter ou aumentar a competitividade das suas inovações, e, para 16,7%, a «complexidade dos bens ou serviços» introduzidos pela empresa, foi igualmente um dos métodos mais importantes.
  • Para 46,7% das empresas com inovação de produto e/ou processo as fontes internas (dentro da empresa ou do grupo a que esta pertence) são a sua principal fonte de informação, seguindo-se os «clientes ou consumidores do sector privado» (para 28% das empresas)
  • Os resultados mostram que 20,8% das empresas com inovação de produto estabeleceram algum contrato de fornecimento de bens ou serviços apenas com organizações do sector público nacionais e 0,7% apenas com organizações do sector público estrangeiras
  • Do total de empresas com inovação de produto, 3,7% indicaram ter estabelecido contratos de fornecimento de bens ou serviços com entidades públicas nacionais e estrangeiras
  • A realização de actividades de inovação foi para 4,2% das empresas com inovação de produto, uma exigência resultante do contrato de fornecimento de bens ou serviços que celebraram com organizações do sector público nacionais ou estrangeiras
  • Do total de empresas com inovação de produto, 7,8% indicaram que realizaram actividades de inovação nos contratos de fornecimento de bens ou serviços celebrados com organizações do sector público nacionais ou estrangeiras, embora essa mesma inovação não fosse exigida pelos termos do contrato
  • 35,9% das empresas com inovação de produto e/ou processo, atribuem um grau de importância alta à «utilização de sistemas de feedback do cliente» quando decidem incluir sugestões dos seus utilizadores na produção de bens ou serviços inovadores
  • «A adaptação de bens ou serviços existentes pelos clientes e/ou utilizadores» e o «desenvolvimento de novos bens ou serviços pelos clientes e/ou utilizadores e que a empresa produziu e introduziu no mercado», foram considerados igualmente importantes para as empresas com 12,8% e 11,7%, respectivamente.
  • 11,9% e 11,4% das empresas com inovação de produto e/ou processo no sector da indústria e no sector dos serviços, respectivamente, consideram com o grau de importância alta, o desenvolvimento de novos bens e serviços em cooperação com os seus clientes e/ou utilizadores
  • Mais de metade das empresas com inovação de produto e/ou processo consideram os bens ou serviços modificados ou desenvolvidos pelos clientes e/ou utilizadores uma relevante fonte de inovação independentemente da sua dimensão

Inovações ao nível organizacional e de marketing:

  • As modalidades de inovação organizacional mais referidas foram por 25,8% das empresas os «novos métodos de organização das responsabilidades e da tomada de decisão» e, por 24%, as «novas práticas de negócio na organização dos procedimentos»
  • A introdução de «novas técnicas ou meios de comunicação para a promoção de bens ou serviços» foi o tipo de inovação de marketing mais referenciado (18,4%), seguindo-se a introdução de «mudanças significativas no aspecto/estética ou na embalagem dos produtos» (17,9%) e a introdução de «novas políticas de preço para os produtos» (17,7%) 


Sobre o CIS:

O CIS, instrumento de notação do Sistema Estatístico Nacional e regulamentado pela União Europeia, realiza-se em todos os Estados-Membros, e mede e caracteriza as actividades de inovação nas empresas (nomeadamente inovação de produto, inovação de processo, inovação organizacional e inovação de marketing), seguindo as recomendações metodológicas e sob a orientação do Eurostat, com base nos princípios definidos no Manual de Oslo. Constitui-se assim como o principal instrumento estatístico para a recolha de informação sobre inovação, feito através de um inquérito por amostra de periodicidade bienal. Portugal participa nas inquirições CIS desde a sua primeira edição, realizada em 1991 – 1992.

O período de recolha de dados do Inquérito Comunitário à Inovação – CIS 2012 decorreu entre 3 Junho de 2013 e 14 de Março de 2014. Seguindo as orientações e recomendações do Eurostat, o INE construiu uma amostra composta por 9.423 empresas, baseada numa combinação censitária (para empresas com 250 pessoas ao serviço ou mais) e de amostragem aleatória para as restantes empresas. No final do período de recolha de dados foram consideradas como válidas 6.840 respostas, de entre as 7.995 empresas da amostra corrigida, correspondendo a uma taxa de resposta de 86%.

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