Seis projectos com pernas para andar

Já são conhecidos os seis projectos seleccionados para a segunda fase do Concurso Nacional de Empreendedorismo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Universidade Nova de Lisboa (UNL). A apresentação foi feita no passado dia sete de Julho, e um destes será contemplado, em Outubro, com um prémio de 25 mil euros.

POR ROGER MOR

Portugal despertou de vez para o empreendedorismo e as empresas e universidades sabem que têm um papel determinante na sua promoção. Uma ideia defendida pelo reitor da Universidade Nova de Lisboa, Leopoldo Guimarães, que anunciou ainda a nova estratégia da Universidade que agora se deverá focar no empreendedorismo. A estratégia foi aprovada por unanimidade na reunião plenária do Senado e pretende fomentar o empreendedorismo de modo a tornar a economia nacional mais competitiva. " O empreendedorismo cria emprego, gera riqueza para o País, atrai o investimento e mantém os centros de decisão em Portugal" , razões apontados por Leopoldo Guimarães e que justificam a adesão da Universidade Nova ao Concurso Nacional de Empreendedorismo. Vítor Martins, presidente do Conselho de Administração da CGD, concorda que as universidades têm um papel cada vez mais importante na disseminação e apoio ao empreendedorismo. E ao contrário do que se possa pensar, " a universidade pulsa fora dos grandes centros" , afirmou Vítor Martins.

 

É que a instituição com maior número de projectos a concurso foi a Universidade da Beira Interior - cerca de 20 por cento - , apesar de nenhum dos seus projectos ter passado à fase seguinte. Dos 108 projectos entregues na primeira fase, que envolveram cerca de 286 participantes, foram seleccionados seis, que vão agora, entre si, disputar o primeiro lugar e um prémio de 25 mil euros para o capital social da empresa.

Todos os sectores fizeram-se representar, mas com uma previsível maioria na área das Tecnologias da Informação e nos Serviços. Ainda assim, para a fase final não foi seleccionado nenhum dos projectos de TI e entre os seis finalistas está apenas presente um projecto da área dos Serviços. Os outros cinco projectos finalistas representam a biotecnologia, com três ideias e o Ambiente e a Agricultura, com um projecto cada um. Geograficamente, três das ideias finalistas vêm de Lisboa, sendo que Porto, Aveiro e Leiria estão representadas com um projecto por cidade. João Picoito, CEO do Grupo Siemens Communications Portugal e representante do júri, realçou " a boa preparação técnico-científica dos proponentes" e o facto de muitos dos projectos apresentarem tecnologia própria.

O Concurso conta ainda com o apoio da Ordem dos Economistas, que se fez representar na cerimónia de apresentação dos projectos finalistas pelo seu bastonário. Murteira Nabo realçou a importância de empresas e instituições de ensino se focarem no empreendedorismo. Segundo afirmou, " quatro quintos da economia portuguesa estão nas mãos das PME, logo está na hora de passar à acção" . Murteira Nabo acrescentou que pior que o défice é a falta de crescimento que o País regista. Tudo porque não há criação de valor devido à falta de inovação. A Ordem dos Economistas, através de 53 associados voluntários que serviram de " coaches" , garantiu a qualidade dos Business Plans dos projectos a concurso.

Outro dos patrocinadores presentes foi a Microsoft. João Oliveira é director da Área de Desenvolvimento e Plataformas da Microsoft Portugal e mostrou como a sua empresa pode ser um poderoso aliado para estes novos projectos. " A Microsoft tem capacidade de divulgar estes novos produtos e serviços em todo o mundo" , disse. E acrescentou que muitos dos novos projectos acabam por ser desenvolvidos com base tecnológica Microsoft e que, posteriormente, esta consegue colocar esses produtos em milhares de empresas em todo o mundo. " Boas ideias que muitas das vezes não subsistem no mercado nacional podem encontrar o sucesso no mercado global" , rematou.

Os seis projectos apurados têm agora a possibilidade de angariar apoios e investimentos adicionais como resultado dos contactos com potenciais investidores a serem proporcionados no âmbito da divulgação do Concurso Nacional de Empreendedorismo. O vencedor, a divulgar em Outubro, contará com 25 mil euros a aplicar em capital social da empresa a constituir. Os resultados deste Concurso estão a ser de tal forma satisfatórios que o reitor da UNL anunciou que já começaram as negociações para a segunda edição do Concurso Nacional de Empreendedorismo. Seguem-se os projectos seleccionados.

Bioalvo - Serviços de Investigação e Desenvolvimento em Biotecnologia
A Bioalvo é uma empresa de biotecnologia especializada nas fases iniciais do desenvolvimento de novos biofármacos e terapias para doenças neurodegenerativas. A sua actividade centra-se em fases que englobam desde a investigação de novos alvos terapêuticos até ao final dos testes pré-clínicos. A empresa cria estratégias biológicas e moleculares inovadoras que conduzem ao desenvolvimento de uma nova geração de fármacos e terapias que prometem combater doenças como o Alzheimer, malária, SIDA ou a " doença dos pezinhos" . O TTR Silencer e o Blockade são dois dos programas terapêuticos para o tratamento destas doenças. O modelo de negócios da Bioalvo assenta em parcerias e alianças com outras biofarmacêuticas, de modo a tornar possível a realização dos testes clínicos e o co-desenvolvimento de produtos. Assim, partilha-se o risco e tem-se um acesso mais fácil aos recursos financeiros necessários. O investimento está estimado em 1,2 milhão de euros e os responsáveis esperam atingir um volume de negócios na ordem dos dois milhões de euros a partir do quarto ano. Nos três primeiros anos será sempre a investir.
Promotores: Bioalvo

MagBiosense
Esta empresa pretende desenvolver e comercializar biosensores para a detecção de microrganismos patogénicos na carne. O MagStrip, o produto que a empresa pretende lançar, permite essa análise rápida. Uma inovação que permite ao sector da restauração oferecer mais segurança alimentar. Este mercado encontra-se em expansão dadas as crescentes restrições no que respeita aos parâmetros de controlo e qualidade alimentar. Numa primeira fase, a MagBiosense pretende atacar o mercado ibérico e, passados seis anos, a Europa, a América Latina, os EUA e a Austrália serão mercados a explorar. O protótipo da MagStrip está em fase de desenvolvimento e deverá estar concluído até ao final de 2006. Assim, para os dois primeiros anos, esta empresa vai exigir um investimento de 570 mil euros. O investimento total será de 625 mil euros. No terceiro ano de operações, a MagBiosense prevê um volume de vendas na ordem de um milhão de euros.
Promotores: Hugo Ferreira; Dina Gonçalves; José Almeida

FoodMetric
A análise da composição dos produtos alimentares e o controlo dos processos são pontos críticos para as empresas do sector agro-alimentar. Os métodos convencionais usados hoje em dia são laboriosos e requerem bastante tempo de análise, o que se torna numa limitação ao aumento de produtividade em muitos processos industriais. A FoodMetric pretende desenvolver e implementar metodologias para a análise química de produtos alimentares que são, em média, 80 por cento mais rápidas e não invasivas. Estas metodologias vão permitir relacionar as características químicas de um produto alimentar e os diversos parâmetros que não necessários controlar. A empresa pretende ainda desenvolver software que será acoplado ao equipamento de análise. Prestes a iniciar a sua actividade, conta com um investimento que ronda os 143 mil euros. No terceiro ano de actividade, o volume de negócios estimado ficará pelos 660 mil euros.
Promotores: Ana Daniel; Ivonne Delgadillo; António Barros

Cogumelos de Alcobaça
Esta empresa pretende produzir e comercializar uma gama diversificada de cogumelos exóticos frescos. Estes cogumelos, divulgados nos países asiáticos, têm um alto valor comercial. A empresa pretende assim ocupar nichos de mercado não preenchidos e de gama elevada. A Cogumelos de Alcobaça deverá ter operacional, já no início de 2006, uma unidade piloto de produção. O investimento em imobilizado é de 104 mil euros e a produção destina-se a restaurantes de gama elevada nas regiões de Leiria, do Oeste e de Lisboa. Após o projecto-piloto, prevê-se um investimento faseado ao longo de três anos e, no quarto ano, os cogumelos deverão entrar nas cadeias de distribuição modernas portuguesa e espanhola. O investimento em imobilizado no segundo e terceiro anos será de 98 e 390 mil euros, respectivamente. Já as previsões para o volume de negócios serão de 146 mil euros no primeiro ano, 840 mil euros no terceiro e, no quinto ano, estima-se que empresa chegue aos 1,8 milhões de euros.
Promotores: João Silva; Sandro Silva

Butterfly Kingdom - Parques Temáticos SA
Este será um parque temático, com 10 mil metros quadrados, onde as borboletas serão rainhas. Um parque de lazer e animação que ficará situado na antiga Estufa Fria do Parque Eduardo VII e que pretende concorrer directamente com o Oceanário e com o Jardim Zoológico de Lisboa. O plano de negócios está concluído, um sócio investidor já foi captado e decorrem as negociações com a Câmara de Lisboa. O investimento ronda os 977 mil euros e estima-se que no terceiro ano de actividade o volume de negócios ronde os 1,6 milhões de euros.
Promotores: Francisco Afonso; Rui Falcão

BioHiTec
A produção e a utilização de solventes pelas indústrias têm como resultado a emissão de compostos orgânicos voláteis (COV). O tratamento destas emissões, cuja obrigatoriedade legal entra em vigor em 2007, está estimado em sete mil milhões de euros. A tecnologia BioHiTec assegura uma solução eficaz no tratamento dos COV. A estratégia de arranque adoptada para este negócio inicia-se com uma fase de demonstração da tecnologia em sectores-alvo em 2007. O investimento total previsto é de 450 mil euros. Quanto ao volume de negócios, prevê-se que seja, no terceiro ano de actividade, entre sete e 30 milhões de euros, dependendo do grau de protecção da tecnologia.
Promotores: Ruben Jorge; Isabel Cruz

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