Publicado a 31 de agosto de 2015

Têxteis técnicos made in Portugal

Considerados os têxteis do futuro, os têxteis técnicos e funcionais já representam em Portugal pelo menos 10% do volume de negócios do sector têxtil, segundo dados do INE - Instituto Nacional de Estatística - mas este valor pode chegar na realidade aos 25%, segundo as estimativas da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. O sector têxtil português está a revitalizar-se e a diversificar-se: os têxteis técnicos têm aplicações não apenas no vestuário e lar, mas em diferentes indústrias, como a biomédica, de segurança e proteção pessoal, desporto, transportes e construção.

Os têxteis técnicos são um dos segmentos com maior vitalidade no sector têxtil, avaliado mundialmente em 230 mil milhões de euros, de acordo com um estudo do banco alemão Commerzbank. Em países na vanguarda desde sector, como a Finlândia e Alemanha, o peso deste segmento chega aos 70% e 40%, respetivamente


Em Portugal, são cada vez mais as empresas que se dedicam a fabricar têxteis técnicos ou têxteis funcionais. No entanto, por vezes os produtos fabricados ainda são registados no INE como produtos tradicionais, o que dificulta a sua contabilização. Ainda assim, se considerarmos as rubricas de fabricação de cordoaria e redes, fabricação de não tecidos e respetivos artigos, exceto vestuário, e fabricação de têxteis para uso técnico e industrial, chegamos a um valor de 600 milhões de euros, que correspondem a 10% do volume de negócios do sector têxtil. Porém, a ATP estima que o peso real dos têxteis técnicos ascenda a 20% a 25% do volume de negócios do sector


E «a expetativa é de que esta área dos têxteis de alta tecnicidade venha a ter um crescimento exponencial», revelou Paulo Vaz, diretor-geral da ATP à revista Exame. De facto, Paulo Vaz estima que «mais de 70% dos materiais e aplicações que farão o amanhã desta atividade (têxtil) ainda estão por inventar». E as invenções que estão na calha requerem uma colaboração estreita entre empresas, centros tecnológicos e universidades.

Por exempo, Portugal recebeu recentemente uma medalha de ouro na última edição da FESPA, a maior feira mundial de materiais e tecnologias de impressão, na Alemanha, na categoria de tecnologia inovadora. A tecnologia premiada, iTechInovCar, que utiliza serigrafia digital para imprimir circuitos electrónicos – sensores, actuadores (comandos) e iluminação – em peças automóveis, foi desenvolvida em parceria entre o CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, a empresa Simoldes e o CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal.

O sector automóvel é, aliás, um dos mais prolíficos no que diz respeito à atividade das empresas portuguesas no domínio dos têxteis técnicos. A Coindu, sedeada no concelho de Vila Nova de Famalicão e com uma fábrica na Roménia e dois centros de desenvolvimento na Alemanha, será a empresa responsável por produzir os interiores da próxima geração do Q7, o SUV que a Audi venderá em 2016. A TMG Automotive é um dos fornecedores dos modelos i3 e i8 da BMW e a ERT trabalhará no novo Jaguar XE.

Também na área do desporto os têxteis portugueses marcam pontos. Em 2012, Usain Bolt correu para a vitória dos 100 metros em Londres com uma camisola de alta performance, mais fina, leve, de alta respirabilidade e com propriedades antibacterianas e uma função termoreguladora. Tratava-se de uma tecnologia da empresa LMA, de Santo Tirso, confecionada na P&R Têxteis, em Barcelos. Em 2008, foi a vez do nadador Michael Phelps bater sete recordes do mundo nos Jogos Olímpicos de Pequim, equipado com um fato de natação LZR Racer, sem costuras, que reduz o efeito de arrasto, ajuda os nadadores a manter uma postura otimizada e repele a água. Tratava-se de uma tecnologia patenteada da Petratex, sedeada em Paços de Ferreira, e desenvolvida em parceria com a marca Speedo.

Outro segmento de utilização dos têxteis técnicos é o de segurança e proteção pessoal. Sedeada em Unhais da Serra, no distrito da Covilhã, a Penteadora tem vindo a expandir o seu negócio para a área dos fatos de proteção individual, tendo certificado já quinze tecidos. Um dos planos futuros da empresa é vestir os bombeiros portugueses, estando a desenvolver um fato de combate ao fogo urbano. Já a Smart Innovation aplicou os seus conhecimentos químicos para conceber um produto não tóxico e biocompatível, com as propriedades de repelente, e aplicável em têxteis. Dubai, Cabo Verde, Egito, França e África do Sul são alguns do mercados na mira da empresa.

Tal como estes casos de sucesso, muitas outras empresas portuguesas estão a trabalhar afincadamente, muitas vezes em colaboração, para desenvolver os têxteis do futuro, para o mais variado tipo de aplicações. E, segundo estimativas do CITEVE, 20% das exportações do sector têxtil já caem nesta categoria dos têxteis técnicos.

Fonte: Revista Exame

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