Publicado a 17 de novembro de 2017

"Todas as empresas podem ser inovadoras, mas nenhuma pode inovar sozinha"

A COTEC Portugal participou na sessão sobre tecnologia "Próximo Nível - O Desafio de Inovar nas Empresas", organizada no dia 14 de novembro pelo Banco Popular em parceria com o jornal Expresso.

Nesta sétima conferência Próximo Nível, Paulo Cardoso do Amaral, professor da Católica Lisbon School of Business & Economics, destacou que, hoje em dia, "o mundo mudou" e "as maiores empresas do mundo são empresas tecnológicas". Neste panorama, as empresas portuguesas concorrem com empresas de todo o mundo, algumas das quais, como a Uber, têm investidores que estão dispostos a "perder biliões de euros por ano até virem a ter sucesso". Por outro lado, os paradigmas comunicacionais modificaram-se, tendo "as redes sociais levado a um crescimento da informação não estruturada", para a análise da qual as ferramentas de big data serão fundamentais. A Internet das Coisas, a Indústria 4.0, a gamificação e o blockchain são outras faces da transformação digital vivida.

Como se vão posicionar as empresas neste novo panorama?

Para Paula Panarra, Diretora-Geral da Microsoft Portugal, "Estas tecnologias já existem todas e agora é preciso saber como é que as vamos usar e isso também é inovação". Adicionalmente, "As PME têm hoje a capacidade de utilizar a tecnologia como um serviço", sem fazer investimentos substanciais. Por outro lado, cada vez mais, as empresas não têm só "uma fábrica de inovação dentro de casa", mas precisam de estar mais expostas ao ecossistema.

Esta opinião é partilhada por Jorge Portugal, que destaca o papel das redes de inovação, pois "Todas as empresas podem ser inovadoras, mas nenhuma pode inovar sozinha". Para o Diretor-Geral da COTEC, o próximo nível das empresas portuguesas é a globalização, e para isso "a digitalização é uma arma incontornável".

Para Pedro Silva Dias, Presidente da Agência para a Modernização Administrativa, "a tecnologia não é sinónimo de inovação", sendo preciso aproveitar as tecnologias emergentes e recombiná-las. Foi o caso de diversas iniciativas públicas, como o documento único automóvel online, um documento onde Portugal é um dos poucos países onde já há mais pessoas a solicitar o processo online por comparação com por papel.

Finalmente, Pedro Rocha Vieira, co-fundador e CEO da Beta-i, traçou uma resenha histórica da evolução portuguesa no que diz respeito ao empreendedorismo, destacando que o país está hoje "mais exposto ao mundo", com casos de sucesso, um ecossistema de investimento mais desenvolvido e "maior abertura para a inovação, para trabalhar com startups e em transferência de tecnologia".

O que falta ainda às empresas portuguesas?

Para Pedro Rocha Vieira, as empresas devem definir de forma mais clara a sua estratégia de inovação, melhorar os seus processos e práticas, e ser mais rápidas a executar, testando, medindo e corrigindo, promovendo a accountability.

Combinar tecnologias para criar valor acrescentado, focar-se no serviço e não só no produto, compatibilizar o negócio presente com o negócio futuro e fomentar a colaboração são, para o Diretor-Geral da COTEC, passos essenciais para o crescimento empresarial, numa fase em que as empresas deixam de fazer inovação com "i" pequeno, centrada em atividades de baixo custo e baixo retorno, e se focam na inovação de "I" maiúsculo, com custos maiores, mas também retornos muitos significativos.

Por sua vez, Paula Panarra relembrou que a inovação não é algo acabado, mas sim "um caminho" que as empresas devem percorrer.

E nesse caminho, como destacou Jorge Portugal, "a inovação não é uma questão de opção, é uma questão de sobrevivência".

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