Universidade do Porto vence Prémio Fomento do Empreendedorismo

A Universidade do Porto (UP) foi distinguida, no passado dia 19 de Outubro, com o prémio Fomento do Empreendedorismo. "Viver a Inovação" é o projecto que mereceu o reconhecimento do júri composto por nove elementos.

© FLAD

 

«Este projecto é o resultado de uma acção estratégica que a Universidade do Porto traçou para a área do empreendedorismo e que tem vindo a ser desenvolvida há alguns anos», afirmou o Professor José Marques do Santos, Reitor da Universidade do Porto, durante a sessão de divulgação do prémio, que contou com cerca de 90 participantes. E acrescentou: «Há um aval importante para nós de que a nossa estratégia está no bom caminho e de que a podemos continuar no futuro».

Com este projecto – que integra as 14 faculdades da UP, apostando na cooperação entre estas unidades orgânicas, bem como na cooperação entre a Universidade e as empresas –, a UP pretende envolver directamente os estudantes no fomento do empreendedorismo.

«Acreditamos que não basta criar condições para formar empresas, é preciso mostrar o caminho para a valorização do conhecimento existente», referiu o Reitor da UP.


«Viver a Inovação»
A Universidade do Porto delineou um projecto a três anos que tem como primeiro objectivo fazer despertar na sua comunidade a consciência e a motivação pelo processo de descoberta e valorização económica e social. Para cumprir este objectivo foram estruturados três subprojectos: dois de formação e aprendizagem prática, orientados para os vários segmentos da população da UP e externa à UP; e um para gerir a incorporação desta vivência nos currículos dos cursos da UP e a sua disseminação pela comunidade em geral.

«Este concurso de fomento do empreendedorismo veio desempenhar um papel importante na própria sistematização interna e no desenvolvimento de uma visão integrada de empreendedorismo na universidade», afirmou o Professor José Novais Barbosa, coordenador do projecto vencedor e antigo Reitor da UP.

Também neste sentido, o Professor José Marques dos Santos afirmou que a atribuição deste prémio vem reconhecer a decisão que a Universidade assumiu na sua missão: «dar valor económico ao conhecimento que desenvolvemos na nossa instituição».

Seleccionado de entre 12 candidaturas, “Viver a Inovação” mereceu a distinção pelos motivos enumerados pelo Professor Eduardo Marçal Grilo, representante do júri do prémio: «O modelo global encontrado para, com base em experiências correntes, as generalizar progressivamente tanto aos estudantes das licenciaturas e dos mestrados formais como àqueles que recorram ao ensino ao longo da vida; a fórmula encontrada para a valorização do conhecimento através da criação de startups de base tecnológica dirigidas aos mercados internacionais; a integração progressiva de diferentes unidades orgânicas da UP; a sustentabilidade financeira do projecto para além do prémio, que se traduz por um orçamento global da ordem dos 784.000 € ao longo dos três anos de duração do projecto; e a adopção de um sistema de avaliação periódica».

O representante do júri fez, porém, questão de referir o projecto apresentado pela Tecminho da Universidade do Minho que ficou classificado em 2.º lugar. Para além de realçar a sua qualidade, o Professor Eduardo Marçal Grilo expressou o desejo de que este projecto «possa vir a ter condições que permitam a sua realização».

«Se tínhamos algumas dúvidas que esta iniciativa teria sentido, hoje estamos muito certos. A qualidade das candidaturas excedeu em muito o que esperávamos que fosse conseguido. E estamos também certos que o ensino do empreendedorismo se irá generalizar progressivamente nas instituições de ensino superior portuguesas e que muitos dos projectos que não receberam o prémio serão implementados, tendo em conta o seu mérito», frisou o Dr. Artur Santos Silva, Presidente da Direcção da COTEC.

Organizado pela COTEC em associação com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, com o patrocínio da OPTIMUS e o apoio do Jornal Expresso, este concurso visou desafiar as universidades portuguesas a repensarem os seus programas curriculares e métodos de ensino, procurando estimular as capacidades de criatividade, de inovação e de empreendedorismo nos estudantes universitários.


Empreendedorismo e Inovação em Portugal
«Não basta baralhar e dar de novo para encontrar o truque que leva à inovação. Esta é uma ideia que nos prejudicou muito no passado e nos levou à inovação de baixo nível», afirmou o Professor José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, durante a sua intervenção. E aludiu: «É preciso trabalhar e estudar muito para se estar ao nível dos outros países porque, de outra forma, esta inovação de baixo nível esgota-se muito rapidamente».

E, sublinhou o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o empreendedorismo não se prende só com a criação de empresas. «São de louvar tanto as pessoas com ideias novas, capazes de as defender e de as apresentar, como as empresas capazes de integrarem essas pessoas e ideias», notou, acrescentando que não se pode enaltecer apenas as iniciativas que originam novas empresas: «O mundo da inovação não é de atomização permanente mas deve ser também de acumulação».

Para o Dr. Artur Santos Silva, o empreendedorismo está associado a um conjunto de atitudes e competências: «O gosto pela concretização, a aceitação de riscos calculados, a tolerância ao erro, a capacidade de aprendizagem com a experiência, a partilha do conhecimento, a procura de excelência ou a responsabilização».

Não obstante, existem condições externas potenciadoras de uma atitude mais empreendedora, como lembrou o Professor Eduardo Marçal Grilo, sublinhando a convicção do júri de que a criação de uma cultura de empreendedorismo é o resultado de políticas que passam pelo Ensino Superior mas que não se esgotam neste nível de ensino. «É necessário continuar a promover e desenvolver iniciativas e projectos nos ensino básico e secundário tendo em vista estes mesmos objectivos, porque é também nestes níveis educativos que se pode consolidar uma verdadeira cultura de empreendedorismo», frisou.

Nesse sentido, o Dr. Rui Machete, Presidente do Conselho Executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, destacou a necessidade de as políticas de educação do Estado serem capazes de instruir para uma cultura de risco, de dar às pessoas uma formação maior e de facilitar a articulação entre empresas e universidades. «Mas o papel principal cabe às empresas e à sociedade civil, aos particulares e estes têm que assumir esse papel», ressalvou, acrescentando que é importante que as empresas assumam as suas relações com as universidades e que alterem «a postura existente com o seu exemplo»: «É preciso mudar e arriscar, coisas a que somos bastante avessos».

O Professor Eduardo Marçal Grilo destacou ainda o papel deste prémio afirmando que gostaria de «explicitar, em nome do Júri, a satisfação por serem já patentes, num número significativo de instituições do ensino superior, as preocupações de inserir na sua estratégia de formação o fomento do empreendedorismo». «Este concurso teve por objectivo central acelerar este processo e contribuir para o generalizar a todas as instituições do ensino superior português. Sentimo-nos satisfeitos por termos participado nesta iniciativa que desejamos se possa vir a repetir», explicou.

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