Publicado a 9 de Outubro de 2012

VIII Encontro COTEC Europa

Dedicado à ‘Inovação nas PME’ o Encontro deste ano das organizações COTEC teve lugar em Madrid, no Palácio del Pardo, no passado dia 3 de Outubro, estimulando contactos e trocas de experiências entre empresários dos três países, Espanha, Itália e Portugal.

© COTEC Portugal

 

Lançado há quase uma década, o projecto COTEC Europa, criado pelas três organizações COTEC, de Espanha, Itália e Portugal, tem como objectivo principal o de desenvolver e apresentar propostas concretas que influenciem as políticas comunitárias em matéria de inovação, tendo em conta as realidades características dos países do Sul da Europa.

Criados pela necessidade de «estimular, de uma forma articulada, a capacidade de inovação dos três países, partilhando experiência e conhecimento, divulgando boas práticas, e levando a cabo projetos de interesse mútuo (…) os Encontros COTEC Europa têm debatido aprofundadamente as mudanças que se torna necessário realizar nas políticas europeias de fomento da inovação que visam impulsionar a capacidade tecnológica das Pequenas e Médias Empresas» – foram palavras do Presidente da República de Portugal neste VIII Encontro COTEC Europa, que demonstram a relevância deste evento.

© COTEC Portugal

 

A importância das PME na economia europeia
Ocorrendo rotativamente nos três países, coube este ano à Fundación Cotec, de Espanha, acolher o Encontro a que foi dado o tema ‘Inovação nas PME’ pelo impacto destas empresas na economia dos países do Sul da Europa.

«Era difícil encontrar um tema mais importante e mais oportuno para debater», afirmou Daniel Calleja Crespo, Director-Geral de Empresa e Indústria da Comissão Europeia. Esta crise europeia, continuou, é um dos «momentos mais graves da União Europeia (EU) desde a II Guerra mundial (…), e é também uma crise de confiança». Para recuperar a confiança disse ser necessário apostar no tecido produtivo, usando uma estratégia que permita recuperar o emprego. Para isso, afirmou, «não temos nenhum outro caminho senão apoiar as PME, a inovação e os empreendedores». São os 23 milhões de PME na Europa que perfazem mais de 99% das empresas e asseguram acima de 85% de todos os novos postos de trabalho: «as PME são a coluna vertebral de toda a economia europeia e, são muito mais que isso, são o instrumento de coesão social da Europa». Face à sua importância, enumerou os objectivos das políticas da UE a fim de apoiar as PME: reduzir a burocracia, facilitar o acesso ao crédito, e promover o acesso aos novos mercados. No que respeita à transferência de tecnologia, tema em que as PME continuam a necessitar de apoios, a UE criou, no Programa Horizonte 2020, um programa específico para as PME, o Programa COSME, que permitirá o acesso ao crédito e apoio à internacionalização.

Inovação nas PME
Na Sessão técnica, os Directores-Gerais de cada uma das organizações COTEC apresentaram trabalhos contribuindo para a discussão do tema do Encontro.

À COTEC Portugal, representada por Daniel Bessa, coube analisar o tópico ‘O crescimento das PME como estímulo às suas capacidades de inovação’. Baseado em dados estatísticos e da NESTA – fundação inglesa que se ocupa, entre outros, da análise dos problemas de crescimento económico –, Daniel Bessa, apresentou uma série de ilações sobre as realidades europeia e norte-americana no que respeita às empresas, sua produtividade ou criação de emprego. Afirmando que Espanha, Itália e Portugal apresentam um défice de empresas de elevado crescimento, e que a Europa, relativamente aos Estados Unidos, tem uma concentração muito maior de empresas que não crescem, resultado de razões culturais, de inovação e de acesso ao capital de risco, rematou: «o que se conclui do trabalho da NESTA é que as empresas que devem ser ajudadas são as que crescem rapidamente e não as que estão em dificuldades (sejam PME, startups ou outras); devemos apoiar quem cresce e criar condições para que cresça mais».

Cláudio Roveda, da Fondazione COTEC, discutiu as ‘Políticas de compras públicas orientadas para a procura de inovações tecnológicas e para PME’. Deteve-se nas mais-valias e nas dificuldades de implementação destas políticas que, segundo o Director-Geral da congénere italiana, respondendo melhor às exigências das sociedades e às necessidades dos cidadãos (exemplo disso são as energias renováveis), são dirigidas a favorecer o desenvolvimento da inovação através da definição de novos requisitos dos produtos ou da procura.
Confirmou que «o Estado pode ser um comprador, um experimentador de inovação, partilhando o risco com os produtores, criando novos mercados» e que o recurso às políticas públicas como forma de estimular o desenvolvimento de produtos inovadores justifica-se, antes de mais, pela grandeza dos investimentos, que permite encorajar a inovação nas empresas (facto que é uma realidade nos sectores da saúde, dos transportes e da construção).

Por último, a Fundación COTEC, espanhola, também representada pelo seu Director-Geral, analisou a ‘Capacidade de inovação das PME: uma abordagem taxionómica’. Partindo das três lacunas de conhecimento que apontou:

  1. Como é que se gera e transforma conhecimento para inovações não tecnológicas?
  2. Como é que se gere a inovação nas empresas que não têm estruturas dedicadas à inovação usando outras disponíveis na empresa, mas que existem para outras funções?
  3. Quais são os diferentes comportamentos/abordagens das PME, um grande e heterogéneo grupo de empresas, no que respeita à inovação?

Juan Mulet apresentou sugestões de resposta e deteve-se, essencialmente, na terceira para a qual a Fundación COTEC, por meio de um inquérito dirigido a mais de 1 000 empresas dos três países, desenvolveu um modelo que classifica as PME em cinco grupos/clusters relativamente à sua propensão para inovar. Validado em 13 grandes empresas, e do tratamento estatístico dos dados, surge o modelo de cinco clusters de classificação das PME: 1) inovação consistente 2) inovação latente 3) imagem de inovação 4) inovação escassa e 5) sem inovação. Juan Mulet terminou dizendo que «cremos que, com este modelo, é possível definir políticas publicas que ajudem as PME a crescer».

Na discussão do final da Sessão técnica foram levantadas algumas questões a que os Directores-Gerais responderam. Daniel Bessa tomou da palavra dizendo que «as políticas públicas se preocupam excessivamente com as empresas em dificuldade» e que «estas políticas podem premiar o crescimento de várias formas, por exemplo, reduzindo uma série de custos fiscais às empresas que crescem mais rapidamente» ao que, concordando com Daniel Bessa, Cláudio Roveda acrescentou «é necessário favorecer a I&D nas PME – o sistema de investigação das universidades deve ser impelido a colaborar com as pequenas empresas», continuando «as ciências sociais e humanas preocupam-se muito pouco em preparar o conhecimento para que as PME possam usá-lo para inovar, e isto é um grave problema».

Consulte o documento de trabalho conjunto das três organizações COTEC.

© COTEC Portugal

 

O futuro dos Encontros COTEC Europa
Apostados em desenvolver o modelo dos futuros encontros COTEC Europa, os Presidentes das três congéneres COTEC, intervieram no início da Sessão de Encerramento, deixando mensagens claras da importância destes eventos para a revitalização da economia dos países do Sul da Europa através da implementação de políticas de inovação.

Empenhada a investir em duas frentes principais, na valorização do conhecimento produzido nas instituições de ensino superior portuguesas, e na aceleração do crescimento das PME através da inovação, a COTEC Portugal, representada por João Bento, Presidente da Direcção, sugeriu, para os futuros encontros, uma maior intervenção dos seus Associados e dos Governos dos três países. Terminou dizendo dos Encontros COTEC Europa «que queremos revitalizados, mais consequentes, mais úteis e mais inovadores».

Gian Maria Gros-Pietro, a representar o Presidente da Direcção da Fondazione COTEC, explicou, entre outros, o que a fundação tem feito no âmbito do estudo das políticas de compras públicas, essenciais para a aquisição de produtos inovadores, cuja consequência final será a submissão, ao Governo Italiano, dos resultados obtidos. Declarou, relativamente a esta “adopção” por parte do Governo: «trata-se de um processo complexo e dificilmente alcançável, porque falamos em modificar profundamente os comportamentos e os procedimentos da Administração Pública através de uma abordagem operacional mais orientada para a solução dos problemas que para o simples respeito das regras existentes.»

Convicto de que «a crise de competitividade surge pela nossa fraca capacidade de inovação», e de que «a inovação é praticamente sinónimo de valor acrescentado e de crescimento, por isso, devemos cuidar do seu impulso», o Presidente da Direcção da Fundación COTEC, Juan-Miguel Villar Mir, apresentou receitas para fazer da inovação o motor de desenvolvimento e bem-estar económico da sociedade espanhola. Para tal, apontou, é necessário: uma reforma da Administração do Estado (eliminando, por exemplo, organizações com funções duplicadas), uma reforma financeira, uma reforma energética, uma política que estimule a re-industrialização de Espanha e melhores produções agrárias e agropecuárias, e, por último, uma reforma educativa, com reconhecimento no mérito.
Explicou ainda o que a fundação fez no último ano nas três linhas de acção: 1) Encontrar fórmulas para levar a tecnologia a toda a sociedade, 2) Entender e comunicar a realidade e as necessidades das PME inovadoras, ajudando-as a ser mais produtivas, e 3) Encontrar o reconhecimento das empresas espanholas inovadoras.


Os desafios da Europa actual
Na sua intervenção, António Tajani, Vice-Presidente e Comissário Europeu para a Indústria e o Empreendedorismo, abordou os desafios da Europa actual. «Pretender competir com a China, Índia ou Brasil em produtos de baixo valor acrescentado, já não é uma opção», declarou. A resposta a problemas actuais com fórmulas do passado não é solução na perspectiva do Comissário Europeu, que acredita que a Europa necessita de uma nova revolução industrial: «temos de re-industrializar a Europa se queremos crescer; temos de ter empresas grandes, médias e pequenas». Na passagem de “perder indústria” para “ganhar indústria”, prioridades têm de ser definidas na política industrial europeia onde devem ser elementos-chave a I&D, a inovação, e a formação e educação. Para tal, é necessário que os sistemas de educação e formação estejam mais próximos das necessidades das empresas, que se faça mais investigação aplicada, e que o forte poder da contratação pública seja usado para o desenvolvimento da inovação. Disse ainda que o trabalho das três organizações COTEC é fundamental nestas acções.

Apostada em trazer a inovação para a agenda política, a Comissão Europeia disponibiliza 80.000 milhões de euros para a IDI (investigação, desenvolvimento e inovação), focando-se, essencialmente, nas denominadas “tecnologias facilitadoras essenciais”, tais como a nanotecnologia, a biotecnologia, a fotónica e os bio-materiais, que podem vir a comparar-se ao exemplo da excelência europeia como é o caso da indústria aeroespacial.

No final do Encontro, os Chefes de Estado de Espanha, Itália e Portugal, deixaram mensagens de estímulo ao trabalho das organizações COTEC, das quais também são responsáveis máximos que, nos seus entendimentos, têm um importante papel a desempenhar no desenvolvimento da competitividade das economias do Sul da Europa.

Discurso do Presidente da República de Itália, Giorgio Napolitano

Discurso do Rei Juan Carlos de Espanha

Consulte o Programa do VIII Encontro COTEC Europa

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