Publicado em Novembro de 2005

Enquadramento

A COTEC deu prioridade à iniciativa sobre Incêndios Florestais atendendo à sua profunda preocupação com os efeitos devastadores que os incêndios florestais têm tido tanto em vidas humanas como em economias locais, no ambiente, em infra-estruturas (por exemplo, eléctricas e de telecomunicações) e em sectores chave da economia nacional (por exemplo, pasta e papel, aglomerados de madeira, cortiça, turismo).

Para o Sector Florestal, em particular, os incêndios são a grande ameaça, pelo que a sua não resolução torna pouco útil qualquer discussão em torno do seu futuro.

Figura 1
Galiza
Grandes fogos em % do nº total de fogos

Plano INFOGA - Redução da área média
ardida aproximadamente por um factor 10 em consequência da redução drástica dos grandes incêndios

Portugal precisa de diminuir drasticamente as áreas percorridas por incêndios florestais para inverter o profundo pessimismo que está instalado.

Os incêndios florestais envolvem múltiplos e complexos factores interagindo entre si tais como o clima, aspectos culturais e sociais, a estrutura da propriedade rural, as espécies florestais e o ordenamento do território, o funcionamento da justiça ou os sistemas de prevenção e combate aos incêndios florestais e de recuperação das áreas afectadas.

Confrontada com esta extensão, a COTEC teve que fazer escolhas.

Por um lado, houve que atender à produção de resultados num prazo razoável, o que era naturalmente exigido quer pelos investidores que financiaram a Iniciativa da COTEC quer pela opinião pública em geral, sobretudo depois de 2003, devido à extensão, à intensidade e às consequências que os incêndios vieram a conhecer.

Por outro lado, conheciam-se os resultados noutros países e noutras regiões, de acordo com os quais parecia possível uma intervenção capaz de produzir resultados a curto prazo, susceptível de reduzir, consideravelmente, o número de ocorrências significativas e, mais do que isso, a extensão das áreas ardidas e das perdas que sempre se lhes encontram associadas.

A título de exemplo, apresenta-se nas Figuras 1 e 2 o impacto dos Planos INFOGA e INFOCA, adoptados nas regiões vizinhas da Galiza e da Andaluzia.

 

 

Assim, e atendendo a que Portugal tem um número extremamente elevado de ocorrências, é nas áreas da prevenção e da primeira intervenção que faz todo o sentido colocar as prioridades, sendo expectável nestas áreas, conseguir resultados a prazo mais curto.

Como pontos críticos identificaram-se os aspectos sistémicos (como funciona o sistema nacional de prevenção e combate aos incêndios e como é possível melhorá-lo), caracterizaram- -se os níveis de risco e perigosidade dos potenciais incêndios florestais (para apoiar melhor a prevenção e a correcta afectação de meios de vigilância e combate), e relevou-se a importância da rapidez da detecção e da primeira intervenção (para evitar os incêndios de grande dimensão, que são responsáveis pela grande maioria das áreas ardidas no País).

No âmbito da Iniciativa, construiu-se uma ligação estreita entre aqueles que conhecem os problemas e para eles procuram soluções (Ministério da Agricultura, Ministério da Administração Interna, Organismos por eles tutelados, Empresas das Fileiras Florestais, Associações de Produtores Florestais) e entidades que detêm conhecimento relevante (unidades do Sistema Científico e Tecnológico).

A Iniciativa privilegiou a aplicação de conhecimento disponível em detrimento do desenvolvimento de novos conhecimentos.

A COTEC também desenvolveu um grande esforço de coordenação entre a sua Iniciativa e outras, em particular a que foi promovida pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento.

 Figura 2

Andaluzia
Áreas ardidas (milhares hectares)

Plano INFOGA - Redução das áreas ardidas

 

Leia também a contextualização inicial desta iniciativa

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