Ana Dias

Ana Dias é Directora de Gestão da Inovação da Portugal Telecom

© COTEC Portugal, 1 de Junho de 2011

O que é para si uma boa estratégia empresarial alicerçada em inovação?
No mundo actual, em permanente transformação, com alterações constantes de padrões de consumo e de paradigmas de negócio, alimentadas por descontinuidades tecnológicas cada vez mais frequentes e impactantes, apenas as empresas que forem capazes de se reinventar para acompanhar estas tendências conseguirão sustentar posições de liderança nos respectivos mercados.
Na PT consideramos que passa pelo estabelecimento de competências críticas de inovação em toda a organização e pela instituição de mecanismos formais que o suportem. A inovação deixou de ser uma competência exclusiva de departamentos de I&D para passar a estar imbuída na cultura da empresa e no dia-a-dia de todos os colaboradores.
A concretização da estratégia de inovação faz-se através de uma alocação diversificada e estruturada de capital entre projectos de curto, médio e longo prazo, com um forte envolvimento e coordenação de todos os stakeholders.

As parcerias são uma componente importante dessa estratégia?
Num mercado de reduzida dimensão à escala global, como é o nosso, um ecossistema de parcerias assume particular importância, dado que nos permite ultrapassar limitações de escala e oferecer soluções de vanguarda aos nossos clientes.
É o que temos feito com diversas universidades, institutos de investigação, fabricantes de equipamentos, produtores de conteúdos, entre outros, em áreas tão distintas como o roll-out de fibra óptica (por ex. Corning), o lançamento de smartphones exclusivos (por ex. ZTE), a disponibilização de conteúdos interactivos no Meo (por ex. Produções Fictícias) e a oferta de soluções empresariais de cloud computing (Cisco).

Qual é o papel de um director de inovação? E os seus maiores desafios?
Numa empresa como a PT onde a inovação é crítica para a evolução do negócio, o desafio é não só garantir um acompanhamento próximo das principais tendências tecnológicas, como também perceber de que forma nos devemos posicionar perante essas tendências e assegurar o envolvimento da organização em torno de objectivos claros.
O lançamento do Programa OPEN, transversal a toda a organização, que aborda a inovação de forma estruturada e promove a coordenação entre as diversas áreas da empresa, permitiu desmistificar o conceito de inovação, estimulando a participação de todos os colaboradores na sugestão de ideias de melhoria contínua assente no conceito de Wisdom of Crowds.

A PT posiciona-se como uma empresa inovadora orientada para o cliente. De que modo é que estes dois elementos – inovação e cliente – se cruzam?
Tudo o que fazemos em termos de inovação deve estar orientado ao cliente e às suas necessidades. Foi isso que fizemos quando lançámos o Meo, que veio responder directamente aos anseios dos clientes (maior interactividade, interface mais apelativo e funcional, maior oferta de conteúdos não-lineares) e romper com o tradicional serviço de TV por subscrição. É também isso que fazemos quando lançamos tarifários inovadores no serviço móvel, como o “e”. E é esse mesmo princípio que seguimos quando lançamos soluções sectoriais ajustadas às necessidades das nossas PME e quando trabalhamos com grandes clientes empresariais na customização de serviços às suas necessidades.
No entanto, também devemos ter um papel importante em levar o cliente a identificar na tecnologia a resposta às suas necessidades. Se perguntassem a qualquer pessoa, há cinco anos, se precisava de gravações na TV, a resposta seria provavelmente não. Hoje a maioria dos nossos clientes já não poderia viver sem as novas funcionalidades. De facto, a tecnologia pode ter um papel crucial na criação de novos espaços de mercado. E é por isso que, na PT, asseguramos a dedicação de tempo e recursos significativos a actividades de investigação de cariz exploratório, obviamente sempre enquadradas numa lógica de negócio prospectivo.

Como vê o futuro da inovação tecnológica?
O ritmo de inovação a que temos assistido nas últimas décadas e o leque de possibilidades de evolução futura que entretanto se abriu antevêem uma maior exigência na velocidade de resposta.
Esta exigência irá implicar uma mudança de paradigma na forma de inovar. As empresas não serão capazes de dominar todas as áreas de investigação necessárias para fazer avançar os seus negócios e terão de mostrar uma abertura muito maior à comunidade.
Na PT já sentimos esta necessidade de abrir os nossos processos de investigação, desenvolvimento e inovação a universidades parceiras, fornecedores tecnológicos, investigadores, programadores e alunos de doutoramento. Esta tendência poderá evoluir para processos cada vez mais suportados em crowdsourcing

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