Carlos Brazão

Carlos Brazão é Managing Director da Cisco Systems Portugal

© COTEC Portugal, 1 de Julho de 2011

Acha que Portugal é um país inovador?
Creio que Portugal está cada mais sensibilizado para a necessidade de inovar, não só dentro das empresas como também no número crescente de startups que felizmente vemos surgir.
Mas não consideraria ainda Portugal um país inovador, definindo como tal os países onde uma parte importante da economia é baseada na inovação e onde assistimos a um volume bastante maior de empreendedorismo porque existe a mentalidade, o acesso a venture capital e um enquadramento favorável a que tal aconteça.

Qual a importância da inovação na estratégia empresarial?
É fundamental. O mercado é do que de mais próximo existe da selecção natural. Quem não inova não cresce, quem não cresce definha, quem definha...
Inovar é fundamental para diferenciar e garantir a competitividade dos produtos, para entrar em novos segmentos, para crescer e triunfar.
Na minha carreira vi muitas empresas que deixaram de inovar por medo de canibalizar os seus próprios produtos, e outras que pura e simplesmente se desleixaram e desenvolveram uma cultura avessa à inovação. Invariavelmente teve consequências dramáticas para essas empresas no médio-longo prazo.
O maior desafio das empresas é filtrar a boa inovação que dentro delas nasce e dar-lhes condições para se desenvolver, ora conseguindo manter uma cultura interna propícia, ora autonomizando-a da restante organização.
E também, quando é o caso, saber procurar e aceitar a inovação externa. Como dizia Bill Joy, antigo Chief Scientist da Sun (agora parte da Oracle): “A maior parte das pessoas inteligentes do mundo não trabalha na tua companhia”.

As empresas portuguesas estão sensibilizadas para as implicações da inovação na sua competitividade?
Há uma cada vez maior consciencialização da necessidade de inovar e os indicadores de investimento em investigação e desenvolvimento apontam no sentido correcto.
Tenho podido visitar algumas companhias portuguesas que actuam nos mercados internacionais e essas são normalmente mais sensíveis à necessidade de inovar e melhorar para se tornarem cada vez mais competitivas e crescerem.
Sou um crente que quanto mais as empresas alargam os horizontes geográficos dos seus mercados mais essa necessidade de inovar para competir se faz sentir. Daí a inovação estar tão ligada ao crescimento económico por via da internacionalização. E nunca como antes este crescimento foi tão necessário ao nosso País.

Que conselhos daria aos gestores que desejam promover ambientes criativos e de inovação nas suas organizações?
O primeiro é criar uma cultura interna aberta onde os colaboradores se sintam à vontade e até incentivados para pensar pela sua cabeça e proporem as suas ideias. Em que as chefias sejam mais reconhecidas pela sua liderança do que pelo poder formal exercido de forma defensiva. Todo o oposto duma certa cultura empresarial tradicional portuguesa, mas, para ser justo, esta está felizmente em transformação.
Depois, quando alguém surge com uma ideia, não deixar que a matem. O mundo está cheio de companhias que deixaram grandes ideias ir embora, redescobrindo-as depois na concorrência quando já é tarde demais.
Por fim, quando uma inovação com potencial é identificada, há que saber criar-lhe condições para se desenvolver.

Com 5 centros de apoio ao negócio em Portugal e o acordo para a construção de um Centro de Pesquisa e Inovação Global em Sensores de Rede para Internet na futura cidade inteligente de Paredes, a Cisco tem apostado muito em território nacional. Portugal continua a ser um país atractivo?
Portugal continua efectivamente a apresentar uma combinação de factores positivos tais como um bom nível de literacia linguística, recursos humanos qualificados a custos competitivos, ou o facto de ser um país naturalmente atraente para muitos decisores e jovens de outros países.
No caso da Cisco tem também contribuído positivamente o excelente desempenho dos centros até agora instalados em Portugal.
Replicar o exemplo da Cisco para outras multinacionais poderá tornar-se um factor importante de geração de riqueza nosso País, um contributo importante para enfrentar os nossos actuais desafios económicos.

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