Vítor Verdelho Vieira

Vítor Verdelho Vieira é Director de Desenvolvimento da A4F - Algafuel e Presidente da Necton.

© COTEC Portugal, 1 de Março de 2011

Ainda há barreiras para que a inovação aconteça? Quais?
Há imensas possíveis barreiras para a inovação, dependendo do tipo de organização. A principal reside obviamente na origem da inovação que tem a ver com as Pessoas. A meu ver existem dois 'tipos de barreira' principais: 1) as organizações 'não têm tempo para inovar' ou seja estão demasiado ocupadas com os problemas do 'dia-a-dia' ou com os seus resultados e não há 'tempo' para pensar e estruturar processos que possam conduzir à inovação; 2) é cada vez mais frequente a sensibilidade dos gestores de topo para a importância da inovação – mas – raramente têm o conhecimento necessário para endogeneizar boas práticas nas suas organizações nem sabem que há metodologias de inovação que funcionam em qualquer organização.

A dimensão de uma empresa pode ser um entrave à inovação?
Sim e não. Na prática, em geral sim – ou seja, organizações muito pequenas estarão em geral essencialmente preocupadas com a sobrevivência. Em teoria não – porque a origem da inovação está nas Pessoas e uma empresa muito pequena pode desencadear inovações disruptivas relevantes.

Quais são os maiores desafios com que se depara o departamento de IDI de uma PME?
O principal desafio reside na própria existência de um departamento de IDI que só faz sentido em organizações muito grandes. Na maior parte das empresas (como a Necton ou a A4F - AlgaFuel) encaramos a Ética, a Qualidade e a Inovação como parte da nossa 'religião empresarial'. Ou seja, é algo que 'tem que estar no ar que respiramos'.

A AlgaFuel trabalha em simbiose com a indústria. Quer dar exemplos de projectos de sucesso resultantes dessas parcerias?
O exemplo mais conhecido em Portugal é o do trabalho que temos vindo a realizar com a cimenteira Secil e que foi premiado em Dezembro de 2009 com o Prémio Europeu de Inovação Ambiental. A Administração da Secil tem uma visão muito diferente das grandes empresas e entendeu que tem nas emissões de CO2 industriais um recurso que pode valorizar. Entendeu também que não é um processo 'pronto a usar', mas que tem que ter um scale-up gradual e adaptado à sua indústria – e a realizar de forma gradual e segura. Embora a AlgaFuel e a Secil sejam empresas de dimensão muito diferente, ambas partilham alguns valores comuns, de que se destaca a vontade de serem os melhores na sua área de actividade. A Secil será a curto prazo a primeira cimenteira no mundo a transformar as suas emissões de CO2 em biomassa de microalgas, com um balanço económico e ambiental positivo.

Acha que os biocombustíveis são o petróleo do futuro?
O futuro não se prevê... prepara-se. Existem vários 'cenários' possíveis e é muito provável que com o desenvolvimento das tecnologias e processos de biorefinaria seja possível que a biomassa contribua de forma relevante para começar a substituir o petróleo no futuro. Os biocombustíveis, nomeadamente o Biodiesel e o Bioetanol enquadrados em processos de biorefinaria podem fazer parte de um conjunto de possíveis alternativas para os necessários combustíveis líquidos. Ou seja, a Biomassa (de resíduos agrícolas, florestais e/ou de microalgas) pode substituir algumas funções ou aplicações do petróleo. Do processo de biorefinaria da biomassa poderemos ter biocombustíveis que substituam combustíveis actualmente produzidos a partir do petróleo.

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